Ventania deixa quase 1,5 milhão de imóveis sem energia na Grande SP nesta quinta; Aneel cobra Enel por falhas recorrentes
A Grande São Paulo amanheceu nesta quinta-feira (11/12) com quase 1,5 milhão de imóveis ainda sem energia elétrica, consequência das fortes rajadas de vento que atingiram a região na quarta-feira (10).
O número, divulgado pela concessionária Enel, representa uma redução em relação ao pico de mais de 2 milhões de clientes afetados no dia anterior, mas a companhia não arrisca prever um prazo para o restabelecimento total do serviço.
De acordo com o mapa de energia da Enel, atualizado no início da manhã, 1.480.939 clientes estavam sem luz na região metropolitana, sendo 1.019.842 apenas na capital paulista. O ciclone extratropical que se formou no Sul do Brasil foi o responsável pelos ventos intensos, com rajadas que superaram 98,1 km/h na Lapa, na Zona Oeste da capital, conforme medição do Centro de Gerenciamento de Emergências (CGE).

Defesa Civil confirmou que os ventos fortes da quarta-feira (10/12) são efeitos do ciclone extratropical que se formou no Sul do Brasil e também impactou a capital paulista e região metropolitana.
A falta de energia tem gerado impactos em cascata. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) registrou 235 semáforos apagados por falta de luz, além de 20 por falhas técnicas e 5 em amarelo piscante. Às 7h, a lentidão nas vias da capital chegava a 203 km, com o trânsito se agravando ao longo da manhã para mais de 570 km às 10h, especialmente na Zona Oeste.
O abastecimento de água também foi comprometido em diversos pontos, enquanto todos os parques municipais permaneceram fechados pela manhã. A reabertura à tarde está sendo avaliada caso a caso, dependendo da normalização em cada local.
Na quarta-feira(10/12), a prefeitura registrou 231 quedas de árvores na cidade, com 182 ocorrências finalizadas até o fim do dia. Equipes da administração municipal aguardam apoio da Enel em 40 casos pendentes.
O balanço dos bombeiros para a região metropolitana, entre 0h e 5h45 desta quinta, aponta 17 chamados por quedas de árvores, 10 por desabamentos ou desmoronamentos e nenhum por enchentes ou alagamentos.

No setor aéreo, o caos se estendeu à malha de voos. O Aeroporto de Congonhas, na Zona Sul, registrou 181 voos afetados na quarta – 88 chegadas e 93 partidas –, segundo a concessionária Aena.
Nesta quinta-feira (11/12), apesar da operação iniciada às 6h, já foram canceladas quatro decolagens e nove chegadas até as 6h55. No Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, o saldo até o mesmo horário incluía duas partidas e 15 pousos cancelados; na quarta, 31 voos de chegada foram desviados para outros aeroportos.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou a Enel na tarde de quarta-feira (10/12), exigindo esclarecimentos em até cinco dias sobre a preparação para o evento climático, alertando que a reincidência – com apagões semelhantes em novembro de 2023 e outubro de 2024 – pode configurar descumprimento contratual e até levar à caducidade da concessão.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou à GloboNews na quarta que acionará a Aneel e a Justiça para que providências sobre o contrato com a Enel sejam tomadas, na mesma linha do que já foi feito desde os apagões registrados na capital a partir de novembro de 2023.
A Enel, por sua vez, atribui a demora à “severidade climática diferente” e destaca investimentos de R$ 10,4 bilhões em 2025-2027, incluindo contratações e podas de árvores.
O diretor de Operações, Márcio Jardim, afirmou ao Estadão que “não consigo precisar uma hora, um dia preciso desse retorno, porque ainda estamos fazendo esse balanço”, com o pico do apagão atingindo 2,3 milhões de imóveis às 18h de quarta. A companhia segue mobilizada, mas os ventos persistentes na região complicam os trabalhos de reparo.


















