Resort Tayayá, ligado à família de Dias Toffoli, é vendido a advogado que atua para a JBS
O resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro (PR) e historicamente associado a parentes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, mudou de mãos e agora pertence integralmente ao advogado goiano Paulo Humberto Barbosa.
A transação, concluída até abril de 2025, envolveu a venda de todas as cotas pelos irmãos do ministro — José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli — e por um primo, Mario Umberto Degani.

A operação ocorreu em etapas ao longo de dois meses, com a intermediação de um fundo de investimento administrado pela Reag, gestora sob investigação no escândalo do Banco Master. Anteriormente, o fundo Arleen (da Reag) havia adquirido participações das empresas controladoras do resort (Tayayá Administração e Participações) e da incorporadora DGEP Empreendimentos, também ligada à família. As cotas foram posteriormente transferidas a Barbosa, que se tornou o único sócio.
Dias Toffoli nunca integrou o quadro societário do empreendimento, mas é um frequentador assíduo do local.
No final de 2025, sua ida ao resort em avião de Roberto Augusto Leme da Silva (conhecido como Beto Louco, investigado na Operação Carbono Oculto) gerou repercussão na imprensa.
O comprador, Paulo Humberto Barbosa, é sócio da Petras Negócios e Participações (empresa de leasing de aeronaves) ao lado de Renato Mauro Menezes Costa (atual presidente da Friboi) e Gabriel Paes Fortes (cunhado de José Batista Júnior, irmão dos donos da J&F — Joesley e Wesley Batista).
Barbosa atua como advogado em causas tributárias para a JBS e os irmãos Batista no Tribunal de Justiça de Goiás e na Secretaria de Fazenda estadual.
A J&F e a JBS emitiram nota negando qualquer vínculo:
“Nem a Companhia nem os acionistas possuem qualquer relação com as empresas citadas ou com qualquer outro negócio do advogado”.
O caso ganha relevância porque Dias Toffoli é o relator do inquérito sobre as fraudes do Banco Master no STF — processo que envolve a Reag e que o ministro transferiu para a corte em dezembro de 2025, impondo sigilo total.
A ligação entre o fundo usado na transação e o caso levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse.
O ministro Dias Toffoli ainda não comentou o assunto.

















