Geraldo Alckmin minimiza impacto de eventual sanção dos EUA ao Irã no Brasil: ‘nossa relação comercial é pequena’
Brasília, 16 de janeiro de 2026 – O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), avaliou na quinta-feira (15/1) que uma possível sanção anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra países que mantêm comércio com o Irã não deve gerar efeitos significativos para a economia brasileira.
As declarações foram feitas durante entrevista no programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Alckmin destacou o baixo volume do comércio bilateral entre Brasil e Irã como principal fator de proteção contra impactos, mesmo com o Irã representando um mercado relevante para o agronegócio brasileiro, especialmente em exportações de grãos como milho e soja.
Em 2025, as vendas brasileiras para o país do Oriente Médio somaram cerca de US$ 2,9 bilhões, com importações iranianas abaixo de US$ 200 milhões, resultando em amplo superávit comercial para o Brasil.
“Os Estados Unidos colocaram que não querem que haja comércio com o Irã. Mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de exportação. No Brasil, nossa relação comercial com o Irã é pequena.”
O vice-presidente questionou a viabilidade prática de uma “super tarifação” generalizada, que afetaria mais de 70 países, incluindo nações europeias como Alemanha.
“A questão da super tarifação é difícil de ser aplicada. Você teria que aplicar em mais de 70 países do mundo, inclusive países europeus.”
“Esperamos que não seja aplicada. Porque imposto de exportação é imposto regulatório, é outra lógica. E isso valeria para o mundo inteiro. A Europa, por exemplo, também exporta para o Irã. A Alemanha, muitos países têm comércio exterior. Vamos torcer, trabalhar para que isso não ocorra.”
Alckmin esclareceu ainda que, até o momento, não há ordem executiva formal do governo Trump impondo a medida, o que reforça a avaliação de risco limitado. Ele reforçou o posicionamento pacífico do Brasil no cenário geopolítico global.
“No Brasil, a última guerra tem mais de um século. O Brasil é um país de paz e, sempre que pode, atua promovendo a paz. O que nós queremos é paz. Guerra leva à morte, leva à pobreza. É a falência da boa política.”
O anúncio de Trump, feito em 12 de janeiro, prevê tarifa adicional de 25% sobre transações comerciais com os EUA para qualquer nação que mantenha negócios com o Irã, em resposta à repressão a protestos no país persa.
Apesar do volume expressivo de exportações brasileiras (Irã é um dos principais destinos de milho nacional), o governo brasileiro classifica o parceiro como “no fim da fila” em relevância geral para o comércio exterior.
A declaração de Alckmin reflete a estratégia diplomática do governo Lula de fortalecer o multilateralismo e priorizar negociações para mitigar tensões internacionais, enquanto monitora possíveis desdobramentos.


















