Zelensky admite divergências com EUA nas negociações de paz com Rússia e cobra garantias de segurança duradouras
O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky reconheceu abertamente divergências relevantes entre Kiev e Washington quanto ao rumo das negociações para encerrar a guerra com a Rússia, em declarações feitas nesta sexta-feira (16).
A fala surge em meio ao aumento da pressão diplomática por um acordo rápido, após críticas do presidente americano Donald Trump, que atribuiu à Ucrânia parte da responsabilidade pela estagnação das conversas — avaliação endossada pelo Kremlin.
Zelensky destacou que a Ucrânia mantém iniciativa diplomática mais ágil que a Rússia, mas rejeitou ultimatos e defendeu os interesses nacionais. Preservando as palavras exatas do líder ucraniano, ele afirmou:
“Não estamos em sintonia em várias questões.”
E complementou:
“Acho que somos mais rápidos que a Rússia. Trabalhamos muito bem com o lado americano, mas não estamos do mesmo lado em algumas questões. Estou defendendo os interesses do nosso Estado. Ultimatos não funcionam.”
Um dos principais pontos de tensão envolve o futuro das Forças Armadas ucranianas. Zelensky insiste na manutenção de um contingente de cerca de 800 mil soldados para evitar o retorno do conflito após um possível acordo, enfatizando a necessidade de financiamento externo contínuo. Ele explicou:
“Precisamos de dinheiro para manter esse exército. Não são apenas palavras, são verbas específicas, por um número específico de anos. A Ucrânia não terá esses fundos em seu orçamento.”
O presidente ucraniano também criticou garantias baseadas apenas em compromissos pessoais entre líderes, defendendo mecanismos duradouros que transcendam mandatos presidenciais. Em tom firme, ele declarou:
“Precisamos ter clareza de que a guerra não recomeçará em um ou dois anos, ou após o fim do mandato do presidente Trump. As garantias devem estar baseadas no povo ucraniano, não em líderes mundiais.”
As declarações ocorrem após Trump afirmar em entrevista à Reuters que Vladimir Putin estaria “pronto para um acordo”, enquanto Zelensky seria menos disposto, intensificando o debate sobre responsabilidades na estagnação das negociações.
Apesar das tensões, delegações ucranianas seguem em diálogo ativo com representantes americanos, com expectativa de avanços em breve.
Enquanto Kiev pressiona por apoio sólido para reconstrução e defesa, o alinhamento entre Washington e Moscou sobre culpas pela lentidão das tratativas aumenta a pressão sobre Zelensky.
O conflito, que entra em seu quarto ano, continua sem resolução iminente, com impactos humanitários e energéticos persistentes na Ucrânia.


















