FBI acusa empresa Sul-Africana de exportação ilegal de tecnologia militar americana para treinamento de pilotos chineses
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos, com base em investigações do FBI, acusou a Test Flying Academy of South Africa (TFASA) de exportar ilegalmente tecnologia de simuladores de voo de origem militar americana para a China, além de recrutar ex-pilotos da OTAN para treinar pilotos da Força Aérea do Exército de Libertação Popular (PLA).
A denúncia, formalizada em ação de confisco civil, destaca o risco à segurança nacional americana e à vida de militares dos EUA.
De acordo com o comunicado oficial, dois treinadores de tripulação de missão (Mission Crew Trainers – MCTs) — simuladores móveis para treinamento em guerra antissubmarino e sistemas de alerta aéreo — foram interceptados em trânsito de África do Sul para a China.
Os equipamentos utilizavam software baseado em programas americanos, aprimorado com dados técnicos de aeronaves ocidentais (como o P-8 Poseidon), sem autorização de exportação.
Preservando as palavras exatas do assistente diretor do FBI para Contrainteligência e Espionagem, Roman Rozhavsky:
“The Test Flying Academy of South Africa illegally exported U.S. military flight simulator technology and recruited former NATO pilots for the purpose of training China’s military, jeopardizing U.S. national security and placing the lives of American service members at risk.”
O assistente procurador-geral para Segurança Nacional, John Eisenberg, reforçou:
“TFASA masquerades as a civilian flight-training academy when in fact it is a significant enabler of the Chinese air and naval forces and a pipeline for transferring NATO aviation expertise, operational knowledge, and restricted technology directly to the People’s Liberation Army.”
A TFASA, fundada em 2003 com apoio do governo sul-africano para facilitar cooperação com a China, foi adicionada à Entity List do Departamento de Comércio em 2023 por atividades semelhantes.
A empresa nega as acusações, afirmando que atuou dentro da lei e que os equipamentos eram apenas unidades básicas de sala de aula para gerenciamento de recursos de tripulação, sem transferência de tecnologia sensível ou expertise da OTAN.
O caso ganha contornos ainda mais sensíveis com o exercício naval multinacional “Will for Peace 2026”, que ocorreu entre 9 e 16 de janeiro nas águas sul-africanas, envolvendo China (líder), Rússia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e, inicialmente, Irã (que se retirou posteriormente).
O treinamento, descrito como focado em segurança marítima e interoperabilidade, reuniu navios como o destróier chinês Tangshan, o corveta russo Stoikiy e a fragata sul-africana SAS Amatola, em meio a críticas da oposição sul-africana e de aliados ocidentais.
A África do Sul não se manifestou oficialmente sobre a acusação do FBI até o momento, enquanto o caso pode impactar relações bilaterais e o comércio de defesa no contexto de BRICS Plus.


















