Ausência de Lula na assinatura do Acordo Mercosul-UE deixa “Sabor Amargo” e expõe falta de prioridade em conquista histórica
A cerimônia de assinatura do acordo histórico entre Mercosul e União Europeia (UE), realizada na sábado (17/1) em Assunção, Paraguai, marcou o fim de 26 anos de negociações e a criação da maior zona de livre comércio do mundo (mais de 720 milhões de consumidores e PIB combinado acima de US$ 22 trilhões).
No entanto, o evento teve um gosto agridoce para aliados regionais: o petista Lula da Silva, principal articulador político do tratado nos últimos anos, optou por não comparecer, sendo o único chefe de Estado do Mercosul ausente.
O presidente paraguaio Santiago Peña, que preside o bloco no semestre atual, não escondeu a frustração ao comentar a ausência de Lula, mesmo reconhecendo o papel decisivo do brasileiro nas tratativas.
Preservando as palavras exatas de Peña em coletiva à imprensa após a assinatura:
“Deixa um sabor amargo, um sabor agridoce. Lula teve uma liderança em levar à frente essa negociação, com uma enorme energia.”
E reforçou:
“Esse acordo não estaria sendo fechado em Assunção se não fosse Lula.”
Peña, que classificou Lula como “amigo pessoal” e disse entender as razões da ausência (ligadas à intensa campanha eleitoral), ainda assim lamentou profundamente a falta do líder brasileiro na mesa principal.
A declaração revela um desconforto evidente entre parceiros do Mercosul, que esperavam ver o presidente brasileiro compartilhando o palco com Javier Milei (Argentina), Yamandú Orsi (Uruguai) e Ursula von der Leyen (presidente da Comissão Europeia).
Em vez de viajar ao Paraguai, Lula preferiu um encontro bilateral “solo” com von der Leyen na véspera (16/1), no Rio de Janeiro, priorizando uma foto e narrativa pessoal de protagonismo.
A estratégia, segundo fontes do governo, visava reforçar a imagem de “fiador” do acordo sem dividir holofotes com Milei — com quem mantém distância política. O Brasil foi representado apenas pelo chanceler Mauro Vieira, enquanto os demais presidentes do bloco compareceram.
A escolha gerou críticas na imprensa e na oposição: em ano eleitoral, Lula parece priorizar fotos isoladas e agendas domésticas em detrimento de um marco diplomático que ele próprio ajudou a construir.
A ausência não só deixa um “sabor amargo” para aliados como Peña, mas também expõe uma contradição: o petista que tanto defende integração regional e multilateralismo evita o momento simbólico de conquista coletiva, optando por uma celebração individual que beneficia sua imagem pessoal.
Enquanto o acordo avança para ratificação nos parlamentos (um processo longo e sensível), a imagem de Lula como “líder regional” sai enfraquecida: uma vitória histórica para o Mercosul, mas sem o principal articulador presente para comemorar com os parceiros.
O “sabor amargo” fica para quem esperava mais do Brasil no palco da integração.


















