Flávio Bolsonaro inicia giro internacional em Israel para fortalecer imagem como líder da direita global e avançar pré-candidatura em 2026
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República pelo bolsonarismo, embarca nesta segunda-feira (19 de janeiro de 2026) para seu primeiro destino internacional no ano eleitoral: Israel.
A viagem marca o início de uma estratégia para consolidar sua liderança na direita conservadora mundial, após agendas recentes em El Salvador e nos Estados Unidos, e visa estreitar laços com figuras influentes do espectro conservador global.
A principal atividade confirmada é a participação na Conferência Anual de Combate ao Antissemitismo, marcada para os dias 26 e 27 de janeiro em Jerusalém.
O evento contará com a presença do primeiro-ministro israelense Binyamin Netanyahu e do irmão de Flávio, Eduardo Bolsonaro, que organiza a agenda e vive nos EUA desde 2025.
O convite foi divulgado pelo ministro israelense da Diáspora e Combate ao Antissemitismo, Amichai Chikli, que descreveu os palestrantes como figuras inspiradoras: “em tempos de trevas, são tochas de luz”.
Flávio Bolsonaro expressou entusiasmo pelo convite e reforçou os valores compartilhados entre Brasil e Israel.
Em publicação nas redes sociais, ele declarou: “profundamente honrado” por participar do evento.
Em texto mais amplo, afirmou: “Brasil e Israel compartilham um laço histórico, humano e civilizacional sólido, construído sobre valores comuns como a liberdade, a democracia e o respeito à dignidade humana. Reafirmo meu compromisso inegociável de estar sempre ao lado do povo judeu, condenando com clareza e sem relativizações todas as formas de antissemitismo, intolerância e ódio. Combater o antissemitismo é defender a verdade histórica, a civilização ocidental e os valores que sustentam sociedades livres”.
A agenda em Israel é autorizada pelo Senado como missão oficial, permitindo ausência de 26 de janeiro a 6 de fevereiro.
Após o evento, o senador deve seguir para Bahrein e Emirados Árabes Unidos, com possibilidade de estender a viagem a países europeus, Argentina (governada por Javier Milei) ou Chile (onde José Antonio Kast venceu eleições recentes).
O retorno ao Brasil está previsto para 15 de fevereiro, após o fim do recesso parlamentar.
Essa turnê internacional ocorre em um momento estratégico para Flávio Bolsonaro presidente 2026.
Enquanto enfrenta resistências internas — como partidos do Centrão que hesitam em apoiar sua candidatura, pesquisas Quaest indicando Lula à frente (36% vs 23% em primeiro turno) e dificuldades para formar alianças —, o foco em conexões globais com líderes de direita busca projetar força e atrair apoio simbólico e político.
A organização por Eduardo Bolsonaro reforça a rede familiar e internacional do bolsonarismo.
Com o PL consolidado como principal partido da oposição, a viagem sinaliza que Flávio aposta em uma imagem moderada e alinhada a valores como liberdade, democracia e combate ao extremismo, temas centrais na conferência em Israel.
Analistas veem nisso uma tentativa de construir prestígio externo para impulsionar a campanha doméstica rumo às eleições presidenciais 2026.


















