Fim do recesso no Congresso será marcado por pressão intensa pela CPMI do Banco Master
O retorno das atividades legislativas em fevereiro promete ser agitado no Congresso Nacional. Parlamentares da oposição, aliados a setores da base do governo, intensificam a mobilização para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigue as fraudes e irregularidades no Banco Master, instituição financeira liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ), autor do requerimento, anunciou que o documento já superou o número mínimo de assinaturas necessário: 257 apoios (177 deputados e 28 senadores) coletados até 31 de dezembro. O apoio atravessa espectro político, incluindo PL, União Brasil, PSD, PP, MDB, Republicanos e até nomes da base aliada, como o senador Eduardo Braga (MDB-AM). A meta era de pelo menos 171 deputados e 27 senadores.
Jordy confirmou a estratégia: “em 2 de fevereiro, irá protocolar o requerimento com as assinaturas necessárias”. Após o protocolo, a pressão recairá sobre o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que precisa ler o requerimento em sessão conjunta para oficializar a CPMI.
Não existe prazo regimental obrigatório para essa leitura, o que abre espaço para negociações políticas.
O caso Banco Master ganhou repercussão com a Operação Compliance Zero da Polícia Federal. A segunda fase, deflagrada em 14 de janeiro, cumpriu 42 mandados de busca em cinco estados (SP, BA, MG, RS e RJ). O inquérito, autorizado pelo ministro Dias Toffoli (STF) e prorrogado por 60 dias em 16 de janeiro, apura fraudes bilionárias, incluindo um contrato de R$ 129 milhões com escritório de advocacia ligado à esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF), encontrado no celular do ex-dono do banco, Daniel Vorcaro – preso durante tentativa de fuga para Dubai.
Paralelamente, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado criou um grupo de trabalho para acompanhar as investigações, sinalizando que o tema já ganha espaço institucional. Há também pedidos de CPI exclusiva na Câmara, endereçados ao presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), mas eles enfrentam fila de pelo menos 15 requerimentos represados e resistências do Centrão, que mantém laços com figuras envolvidas.
A CPMI proposta teria composição paritária (15 senadores e 15 deputados), prazo inicial de 180 dias (prorrogáveis) e foco em apurar as fraudes, a liquidação do banco, possíveis ligações com tramas políticas e atuação de autoridades públicas.
Analistas apontam que o colegiado pode expor vulnerabilidades no sistema financeiro e gerar impactos políticos, especialmente em ano pré-eleitoral.
Com o Congresso em recesso até fevereiro, a articulação continua nos bastidores.
O desfecho da pressão pela CPMI do Banco Master dependerá de acordos entre oposição, governo e o centrão, podendo redefinir prioridades legislativas e intensificar o debate sobre transparência no setor bancário e interferências em investigações.


















