Em meio à polêmica escalada de tensões no Ártico, o governo russo manifestou nesta segunda-feira (19/01/2026) que considera plausível a avaliação de especialistas internacionais: o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entraria para a história do país e do mundo caso consiga incorporar a Groenlândia ao território americano.
A declaração do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, destaca uma visão pragmática, sem endossar ou condenar a medida em si.
Peskov declarou: “Aqui, talvez, seja possível abstrair se isso é bom ou ruim, se estará de acordo com os parâmetros da lei internacional ou não”. Ele prosseguiu: “Há especialistas internacionais que acreditam que, ao resolver a questão da incorporação da Groenlândia, Trump certamente entrará para a história. E não apenas na história dos Estados Unidos, mas também na história mundial”.
A posição russa surge como reação às insistentes declarações de Trump, que repete que os EUA terão a Groenlândia “de um jeito ou de outro” e que não aceitará menos que a posse total do território autônomo dinamarquês.
O presidente americano justifica a ambição com argumentos de segurança nacional, alegando que a Dinamarca falhou em afastar a “ameaça russa” da região e que, sem controle americano, Rússia ou China assumiriam o domínio.
Kremlin evita julgar, mas destaca fato histórico
Peskov enfatizou que o Kremlin não entra no debate ético ou legal da anexação, limitando-se a reconhecer o potencial impacto histórico.
Quando questionado sobre supostas ameaças russas na Groenlândia, o porta-voz mencionou que tem havido muitas “informações perturbadoras” recentemente, mas evitou comentar projetos específicos de Moscou na ilha.
O Ministério das Relações Exteriores da Rússia reforçou a crítica ao Ocidente, afirmando que é inaceitável a narrativa de que Rússia e China representam ameaça ao território, apontando para uma suposta aplicação de “dois pesos e duas medidas” pelas potências ocidentais.
Contexto de uma crise geopolítica crescente
A Groenlândia, com sua localização estratégica, vastas reservas de minerais raros e importância para defesa antimísseis, tem sido alvo de ambições americanas desde o primeiro mandato de Trump (2019).
Em 2026, as ameaças ganharam força com promessas de tarifas comerciais punitivas contra aliados europeus que resistem à ideia, gerando reações da União Europeia, da OTAN e da própria Groenlândia.
Líderes groenlandeses e dinamarqueses reiteram que a ilha não está à venda e não deseja integrar os Estados Unidos, defendendo sua autonomia e o direito internacional.
Essa declaração do Kremlin adiciona uma camada de ironia à disputa: enquanto Trump usa a “ameaça russa” como argumento principal, Moscou observa de forma neutra – e até reconhece – o potencial legado histórico de uma eventual conquista americana.


















