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Israel demole complexo para assistência aos Refugiados da Palestina

Israel demole edifícios da sede da UNRWA em Jerusalém Oriental: agência da ONU denuncia ‘ataque sem precedentes’

Escavadeiras israelenses iniciaram nesta terça-feira a demolição de estruturas no complexo da sede da Agência das Nações Unidas para Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) em Jerusalém Oriental.

A ação, considerada um marco na escalada de tensões entre Israel e a ONU, foi classificada pela agência como um “ataque sem precedentes” e uma grave violação do direito internacional.

O complexo, localizado em área de maioria árabe anexada por Israel em 1967, abrigava a sede operacional da UNRWA para Jerusalém e a Cisjordânia. Desde janeiro de 2025, porém, a agência não mantinha mais pessoal nem atividades no local, após lei israelense proibir suas operações no território.

Em dezembro de 2025, forças israelenses já haviam invadido o complexo, apreendido bens (como móveis e equipamentos), retirado a bandeira da ONU e hasteado a israelense.

A demolição ocorreu sob vigilância de parlamentares e do ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, que celebrou o ato como “um dia histórico” e afirmou que “apoiadores do terrorismo estão sendo removidos daqui”.

O Ministério das Relações Exteriores de Israel justificou: “A UNRWA-Hamas já havia cessado suas operações naquele local e não mantinha mais pessoal da ONU nem realizava atividades ali. O recinto não goza de qualquer tipo de imunidade, e sua apreensão pelas autoridades foi realizada de acordo com a legislação israelense e o direito internacional.”

Israel acusa repetidamente a UNRWA de servir como fachada para membros do Hamas, alegando que alguns funcionários participaram do ataque de 7 de outubro de 2023. Investigações internacionais, incluindo relatório da ex-ministra francesa Catherine Colonna, apontaram problemas de neutralidade na agência, mas sem provas conclusivas de ligações sistemáticas com o grupo terrorista.

A UNRWA reagiu com veemência. Roland Friedrich, diretor da agência na Cisjordânia e Jerusalém Oriental, declarou à AFP: “A demolição é uma violação grave do direito internacional e dos privilégios e imunidades das Nações Unidas.”

O porta-voz Jonathan Fowler alertou: “Assim como todos os Estados-membros da ONU, Israel deve proteger e respeitar a inviolabilidade das instalações da organização. Isso deveria servir como um alerta. O que acontece hoje com a UNRWA pode acontecer amanhã com qualquer outra organização internacional ou missão diplomática em qualquer lugar do mundo.”

O secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia condenado em dezembro de 2025 a “entrada não autorizada” em instalações da organização. Philippe Lazzarini, comissário-geral da UNRWA, reforçou que a ação representa “uma violação deliberada do direito internacional”.

A UNRWA continua operando na Cisjordânia ocupada e em Gaza, onde presta assistência humanitária essencial a milhões de refugiados palestinos desde 1949.

A medida faz parte de uma série de ações punitivas contra a agência, incluindo corte de serviços básicos e embargo de bens, em meio à guerra em Gaza e ao avanço de assentamentos israelenses em Jerusalém Oriental.

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