O primeiro-ministro da Groenlândia alertou a população para se preparar para uma possível invasão militar, em meio às crescentes tensões geopolíticas envolvendo os Estados Unidos e o presidente Donald Trump.
Em coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira (20/1) na capital Nuuk, Jens-Frederik Nielsen afirmou que, embora um conflito armado seja considerado improvável, a possibilidade não pode ser completamente descartada. Ele destacou que as autoridades locais já estão se organizando para enfrentar qualquer eventualidade.
“Não é provável que haja um conflito militar, mas não podemos descartar essa possibilidade”, declarou o premiê.
“O líder do outro lado (Donald Trump) deixou bem claro que essa possibilidade não está descartada. Portanto, devemos estar preparados para tudo”, completou Nielsen.
Segundo o governante, o governo groenlandês formou uma força-tarefa com representantes de diversas autoridades locais para elaborar orientações à população.
Entre as medidas recomendadas estão ações simples de preparação civil, como estocar alimentos em casa (com sugestão de suprimentos suficientes para pelo menos cinco dias) e a distribuição de panfletos explicando procedimentos em caso de incursão militar.
A declaração ocorre em um contexto de forte pressão dos Estados Unidos sobre a Groenlândia, território autônomo sob soberania da Dinamarca (membro da Otan). Trump tem reiterado publicamente o interesse em assumir o controle da ilha, citando sua importância estratégica no Ártico para a defesa americana, inclusive em relação ao chamado “Domo de Ouro” (escudo antimísseis). Recentemente, o presidente americano publicou montagens geradas por IA mostrando a bandeira dos EUA fincada no território, o que intensificou as preocupações.
Nielsen reforçou a posição do território: “Mas precisamos enfatizar que a Groenlândia faz parte da aliança ocidental, a Otan, e, se houver uma escalada ainda maior, isso também terá consequências para todo o mundo exterior”.
A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, reagiu às ameaças afirmando que “o pior ainda está por vir”, descrevendo o momento como um “capítulo sombrio”. Líderes europeus, incluindo da França, Alemanha, Reino Unido e outros, condenaram as declarações americanas, com a União Europeia discutindo respostas comerciais e militares.
Países aliados já enviaram tropas para a Groenlândia desde meados de janeiro para exercícios e reforço de presença.
A crise ameaça abalar a unidade da Otan e as relações transatlânticas, com a Groenlândia no centro de um embate que mistura interesses estratégicos, recursos naturais e soberania


















