Mundo entrou na era da falência global da água, diz relatório da universidade das nações unidas
Um estudo recente divulgado pela Universidade das Nações Unidas (UNU) acende um sinal vermelho para a humanidade: o planeta já ingressou na era da falência global da água.
O relatório, lançado em 20 de janeiro de 2026, alerta que muitos sistemas hídricos essenciais estão esgotados ou em colapso irreversível, resultado de décadas de má gestão, super-exploração e impactos ambientais acumulados.

O principal autor do documento, Kaveh Madani, diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da UNU, enfatizou que o problema vai além da escassez natural. “A falência da água não tem a ver com a quantidade de água que você tem; tem a ver com a forma como você administra a água”, declarou Madani.
De acordo com o relatório, diversas regiões do mundo vivem além da capacidade renovável de seus recursos hídricos. Aquíferos subterrâneos – que suprem cerca de 50% do uso doméstico global – enfrentam declínio crônico, com cerca de 70% em queda de longo prazo.
Rios, lagos, geleiras, solos e zonas úmidas também sofrem esgotamento acelerado, agravado por desmatamento, poluição, degradação do solo e mudanças climáticas.
O estudo compara a situação a uma falência financeira: sociedades gastaram não só sua “renda” anual de água renovável, mas também o “capital” acumulado em reservas não renováveis.
Milhões de agricultores enfrentam o desafio de produzir mais alimentos com fontes cada vez menores, poluídas ou em desaparecimento.
“Milhões de agricultores estão tentando produzir mais alimentos com fontes de água cada vez menores, poluídas ou que estão desaparecendo. Sem uma transição rápida para uma agricultura inteligente em relação à água, a crise hídrica se espalhará rapidamente”, alertou Kaveh Madani.
O documento destaca que a falência hídrica não afeta todos de forma igual: populações vulneráveis, pequenos produtores rurais e comunidades dependentes de água subterrânea sofrem os impactos mais severos, configurando uma questão grave de justiça social e segurança global.
Diante do cenário, o relatório da UNU cobra ação urgente dos líderes mundiais. É necessário reconhecer formalmente essa nova realidade, estabelecer limites realistas de uso da água, investir em gestão sustentável e promover uma transição para práticas agrícolas e urbanas mais eficientes e resilientes.
A crise hídrica global deixa de ser um risco episódico – ligado a secas ou ondas de calor – para se tornar uma condição estrutural e permanente, exigindo mudanças profundas em políticas públicas, agricultura e consumo.


















