Em depoimento Vorcaro admite crise no Banco Master e confirma: instituição não devolveu R$ 12 bilhões ao BRB
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, reconheceu em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) a existência de uma crise de liquidez na instituição financeira, mas defendeu que o banco permaneceu solvente e honrou compromissos até 17 de novembro de 2025. A declaração ocorreu durante oitiva à Polícia Federal em 30 de dezembro de 2025, cujo sigilo foi recentemente retirado pelo ministro Dias Toffoli.
O empresário atribuiu o problema principalmente a alterações no regulamento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que teriam sido pressionadas por grandes bancos e impactado a captação de recursos do Master.
“Existia uma crise, não era de hoje, mas o Banco Master sempre foi solvente, sempre honrou todos os compromissos até o dia 17 de novembro. Essa crise de liquidez, é importante ressaltar, foi criada por mudanças de regulação, com a pressão dos grandes bancos, que alteraram por duas vezes o FGC”, declara Vorcaro.
Vorcaro enfatizou que o modelo de negócios da instituição, desde 2018, era integralmente baseado no FGC, conforme planos entregues ao Banco Central.
“Todo o plano de negócios, desde 2018, que entregamos ao Banco Central, era baseado no FGC. O plano do Banco Master era 100% atrelado ao fundo, e não havia nada de errado nisso. Era a regra do jogo”.
Questionado sobre o não ressarcimento de cerca de R$ 12 bilhões ao Banco de Brasília (BRB), Vorcaro explicou que foi surpreendido pelo cancelamento em grande escala de créditos originados pela empresa Tirreno, o que inviabilizou a devolução imediata em dinheiro. Em vez disso, o Master repassou diversos ativos ao BRB para compensar parte da operação.
O caso integra as investigações da Operação Compliance Zero da PF, que apura supostas fraudes na venda de carteiras de crédito ao BRB em 2025, com prejuízos estimados em R$ 12,2 bilhões para o banco público do Distrito Federal.
O Banco Master foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025, após detecção de irregularidades, e o FGC já iniciou ressarcimentos a depositantes, com custos totais superando R$ 50 bilhões em perdas sistêmicas.
O depoimento de Vorcaro reforça as discussões sobre regulação bancária, fiscalização do BC e impactos de mudanças no FGC no setor financeiro brasileiro.


















