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Master e BRB se contradizem durante acareação

Contradições no Caso Banco Master: Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa Divergem sobre Procedência de Carteiras de Crédito

Em meio às investigações sobre supostas fraudes bilionárias no Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, apresentaram relatos conflitantes quanto à origem de créditos inadimplentes negociados entre as instituições financeiras a partir de janeiro de 2025.

Durante uma acareação promovida pela Polícia Federal (PF) no Supremo Tribunal Federal (STF) em dezembro de 2025, Vorcaro alegou que o BRB estava ciente de que os ativos eram provenientes de uma empresa terceira, a Tirreno. Por outro lado, Costa sustentou que acreditava que os créditos haviam sido gerados pelo próprio Banco Master.

Os depoimentos ganharam publicidade após o ministro Dias Toffoli, do STF, autorizar a remoção do sigilo, conforme revelado por veículos como o portal Poder360 e confirmado por fontes independentes. Essa medida permitiu maior transparência nas apurações, que envolvem suspeitas de fabricação de carteiras de crédito fictícias ou sem lastro adequado.

Interrogado pela delegada responsável, Vorcaro relatou ter discutido o modelo de negócios com Costa em diversas ocasiões. “A gente chegou a conversar algumas vezes que começaria um novo formato de comercialização que seria de carteiras geradas por terceiros. Chegamos a conversar que teríamos a comercialização desse tipo de carteiras”, afirmou o fundador do Banco Master.

Em contrapartida, o ex-presidente do BRB defendeu que sua percepção era diferente, entendendo que os ativos tinham origem interna no Master, tendo sido alienados a outros e posteriormente readquiridos para revenda ao banco público. “O entendimento que eu coloquei aqui mais cedo é que eram carteiras que haviam sido vendidos ou negociados a terceiros e o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, declarou Costa. Ele acrescentou que as discrepâncias só se tornaram evidentes após o início das operações e análises subsequentes.

A PF finalizou a acareação em dezembro de 2025, com a presença de um representante do Ministério Público Federal (MPF) e um juiz auxiliar do gabinete de Toffoli. As investigações sobre o Caso Banco Master remontam a 2024, iniciadas a pedido do MPF para examinar a criação de títulos de crédito insubsistentes. Esses ativos teriam sido transferidos a outra instituição e, sob escrutínio do Banco Central (BC), substituídos por bens sem avaliação técnica apropriada.

De acordo com relatórios do BC, o prejuízo estimado ao BRB pode chegar a R$ 3 bilhões, dentro de um esquema maior de fraudes que soma R$ 12 bilhões. Em novembro de 2025, o BC determinou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de sua corretora de câmbio, interrompendo um processo de venda anunciado previamente.

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