Oposição planeja pressão por CPMI do Banco Master após o carnaval: Requerimento com assinaturas suficientes deve ser pautado em fevereiro
A oposição no Congresso Nacional pretende intensificar, logo após o recesso do Carnaval, a articulação para a instalação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a apurar as supostas irregularidades no caso Banco Master.
Líderes ouvidos pelo Metrópoles afirmam que a CPMI é vista como mais factível que uma CPI exclusiva de uma Casa, devido à longa fila de 17 pedidos pendentes de comissões parlamentares de inquérito na Câmara e no Senado, que seguem ordem cronológica regimental.
O requerimento já conta com apoio robusto: ainda em dezembro de 2025, o grupo obteve a assinatura de 28 senadores e 177 deputados. Em janeiro deste ano, o número chegou a ter o apoio de mais da metade da Casa Alta.
Entre os signatários estão nomes da oposição, mas também parlamentares da base governista e até o líder do governo no Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), que defende a abertura do colegiado.
A CPMI proposta prevê 30 membros (15 senadores e 15 deputados) e duração inicial de 180 dias, prorrogáveis. O texto precisa ser lido em sessão conjunta do Congresso pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sem prazo regimental fixo para a instalação.
A pressão deve ganhar força a partir de fevereiro, quando o Legislativo retoma os trabalhos — a Sessão Legislativa ordinária inicia em 2 de fevereiro —, com cerca de duas semanas de atividades antes de novo esvaziamento típico do período pós-Carnaval.
O caso Banco Master explodiu após a liquidação extrajudicial determinada pelo Banco Central em novembro de 2025, sob suspeitas de fraudes bilionárias, incluindo a negociação de carteiras de crédito sem lastro adequado e prejuízos estimados em R$ 12 bilhões, com impacto no BRB (Banco de Brasília).
A investigação ganhou contornos políticos com a revelação, via Operação Compliance Zero da PF, de um contrato de R$ 129 milhões entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro Alexandre de Moraes (STF), Viviane Barci de Moraes, apreendido no celular do controlador Daniel Vorcaro.
A oposição vê na CPMI uma oportunidade de aprofundar as apurações sobre possíveis irregularidades em operações financeiras, tráfico de influência e uso indevido de recursos públicos.


















