Ministros Moraes e Dino curtem final da Supercopa Rei no Mané Garrincha em meio a polêmicas do Banco Master
Enquanto escândalos financeiros envolvendo o Banco Master seguem repercutindo no Congresso, na Polícia Federal e no Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Alexandre de Moraes apareceu descontraído ao lado do colega Flávio Dino na final da Supercopa Rei, realizada neste domingo (1º) na Arena BRB Mané Garrincha, em Brasília.

Ambos vestiam camisas do Corinthians — time do coração de Moraes — e acompanharam a vitória do Timão por 2 a 0 sobre o Flamengo, com gols de Gabriel Paulista (aos 26 minutos do primeiro tempo) e Yuri Alberto (no último lance da partida).
O evento, que registrou ingressos esgotados e grande público, reuniu diversas autoridades, incluindo o governador do Pará Helder Barbalho (MDB), o presidente da Câmara Hugo Motta (Republicanos-PB) e outros ministros do STF como Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques.
Moraes, torcedor declarado do Corinthians, já havia feito contribuição simbólica em 2024 para campanha do clube visando quitar dívidas da Neo Química Arena e foi visto em jogos do time paulista em outras ocasiões. Dino, apesar de ser botafoguense e ter comemorado títulos do Fogão em momentos pessoais, optou pela camisa alvinegra para a ocasião.
A presença conjunta dos magistrados no estádio, na véspera da reabertura do Ano Judiciário do STF, gerou repercussão nas redes sociais e entre torcedores. No entanto, o momento de lazer contrasta fortemente com as crescentes críticas ao ministro Alexandre de Moraes, cuja esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, firmou contrato milionário com o Banco Master — instituição no epicentro da Operação Compliance Zero da PF, que investiga fraudes financeiras, gestão fraudulenta e organização criminosa.
O acordo, apreendido durante a operação, previa pagamentos mensais de R$ 3,6 milhões, podendo totalizar R$ 129 milhões em três anos por serviços de assessoria jurídica e legislativa. Viviane atuou diretamente em ao menos um processo representando o banco, em queixa-crime contra o investidor Vladimir Timerman (Esh Capital), que denunciou irregularidades ao mercado.
A escolha do escritório da esposa de um ministro do STF foi vista por críticos como tentativa de intimidação, especialmente porque o caso tramita na Corte sob relatoria de outro ministro.
Senadores como Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram requerimentos na CPI do Crime Organizado pedindo quebra de sigilos bancário e fiscal de Viviane Barci de Moraes, além de sua convocação para esclarecimentos.
A CPI planeja aprofundar as relações entre o Banco Master e o Judiciário, incluindo possíveis conflitos de interesses envolvendo ministros do STF. Especialistas em regulação e transparência questionam a razoabilidade de contratos dessa magnitude, com vozes da advocacia afirmando que “pegou mal” e que “nenhuma banca firma algo assim” sem motivações além do estritamente profissional.
Embora a Procuradoria-Geral da República tenha arquivado pedido de investigação contra Moraes e sua esposa por falta de indícios de ilicitude em dezembro de 2025, o episódio continua alimentando debates sobre imparcialidade, influência indevida e a percepção de proximidade entre altos escalões do Judiciário e instituições financeiras sob investigação.
Enquanto isso, o futebol une temporariamente figuras polarizadas, mas os escândalos do Banco Master seguem cobrando explicações concretas para restaurar a confiança nas instituições.


















