O Congresso Nacional retomou oficialmente seus trabalhos nesta segunda-feira (2/2), marcando o início do ano legislativo com uma agenda intensa que combina prioridades do governo federal, investigações parlamentares e movimentações políticas sensíveis.
No centro das atenções está a análise de medidas provisórias (MPs) editadas pelo Executivo, que trancam a pauta da Câmara dos Deputados.
A sessão solene de abertura, realizada no Plenário da Câmara e conduzida pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), reuniu os chefes dos três Poderes e formalizou as expectativas para os próximos meses, em um cenário de ano pré-eleitoral.
Entre as principais MPs, destacam-se a MP do Gás do Povo, que institui uma nova modalidade do Auxílio Gás com gratuidade do botijão de GLP para famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único, e outra que facilita o alívio financeiro e a renegociação de dívidas para produtores rurais impactados por eventos climáticos extremos.
Essas propostas são consideradas entregas sociais importantes pelo governo Lula, servindo como teste para a coesão da base aliada no Congresso.
No Senado, o foco recai sobre a CPI do INSS (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), que investiga fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas.
O colegiado retoma as atividades na próxima quinta-feira (5), com o aguardado depoimento do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sobre operações de crédito consignado e possíveis conexões com o caso de tentativa de venda do banco ao BRB. O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), defende a prorrogação dos trabalhos, cujo prazo original encerra em março, para aprofundar as apurações, inclusive incluindo o caso Master.
Paralelamente, ganha destaque o periplo do Messias — referência às articulações do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, que intensifica contatos com senadores para viabilizar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF). Embora a mensagem oficial de nomeação ainda não tenha sido enviada, espera-se que a sabatina ocorra ainda neste mês, em meio a negociações políticas delicadas.
O retorno legislativo ocorre em um ambiente de desgaste acumulado, com ausências notáveis em atos recentes — como a sanção do projeto do IR sem a presença dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado — e pressões da oposição por temas como CPIs adicionais e pautas anti-STF.
O governo busca avançar em medidas de impacto social para reforçar sua imagem, enquanto administra frentes de atrito no Legislativo e no Judiciário.


















