Irã sinaliza disposição para encerrar programa nuclear em meio a pressões e ameaças dos EUA
Em um momento de alta tensão no Oriente Médio, o Irã estaria avaliando a possibilidade de suspender ou encerrar seu programa nuclear como forma de aliviar o confronto com os Estados Unidos. A informação foi divulgada pelo jornal The New York Times, com base em fontes familiarizadas com as discussões internas em Teerã.
De acordo com a reportagem, reproduzida por veículos como G1 e UOL, o governo iraniano considera essa concessão significativa para reduzir as tensões bilaterais, especialmente após as reiteradas ameaças do presidente Donald Trump.
Os EUA pressionam o Irã a limitar ou abandonar completamente suas atividades nucleares, alegando que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica — acusação negada categoricamente por Teerã, que afirma ter um programa de fins exclusivamente pacíficos, destinado à produção de energia.
Como alternativa, autoridades iranianas defendem a criação de um consórcio regional para a produção de energia nuclear no Oriente Médio, o que poderia envolver a transferência de material enriquecido para outros países, similar ao que ocorreu em 2015 no âmbito do acordo nuclear (JCPOA). Naquele ano, o Irã enviou mais de 11 toneladas de urânio de baixo enriquecimento para a Rússia em troca de alívio de sanções internacionais.
As negociações ganham contornos concretos com uma reunião marcada para sexta-feira (6 de fevereiro de 2026) em Istambul, na Turquia. O encontro envolveria o enviado especial dos EUA para o Oriente Médio, Steve Witkoff, e o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.
Apesar da abertura ao diálogo, o chanceler iraniano negou negociações diretas em curso e reforçou que o país não aceitará discussões sob ameaça militar.
O Irã afirmou estar disposto ao diálogo, mas reforçou que não abrirá mão do direito de se defender; missão iraniana na ONU disse que o país responderá “como nunca antes” caso seja atacado.
Do lado americano, Trump intensificou o tom nas últimas semanas, autorizando o envio do porta-aviões USS Abraham Lincoln e de outros ativos militares à região. Ele comparou a mobilização a operações recentes e relembrou um bombardeio conjunto com Israel contra instalações iranianas em junho de 2025, alertando que qualquer novo ataque seria “muito pior”.
Trump se mostrou otimista quanto a um possível acordo, mas manteve a pressão: “Esperamos chegar a um acordo. Mas, se não chegarmos, vamos ver o que pode acontecer”.
O contexto remete ao histórico do JCPOA: em 2018, Trump retirou os EUA do pacto assinado durante a administração Obama, reimpondo sanções severas. Desde então, o Irã avançou no enriquecimento de urânio, o que elevou o risco de proliferação nuclear na região.
Autoridades iranianas se preparam para o pior cenário, incluindo “guerra total”, enquanto o presidente Masoud Pezeshkian defendeu negociações “justas”, sem “ameaças e expectativas irrazoáveis”.
A possível reunião em Istambul representa uma rara oportunidade de diplomacia direta entre Washington e Teerã em meio à escalada.


















