Políticos do Centrão e PT articulam acordão entre três poderes para frear investigações em ano eleitor
Em meio a um cenário de crescente tensão política, lideranças do Centrão e setores do PT estão costurando um acordo amplo envolvendo os três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário – com o objetivo de conter o avanço de investigações parlamentares que poderiam impactar o calendário eleitoral de 2026.
A articulação, que ocorre sob pressão de potenciais desgastes, visa principalmente evitar a extensão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS e bloquear a instalação de uma possível Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre o Banco Master.
A iniciativa surge em um momento crítico, com o ano eleitoral se aproximando e diversas frentes de apuração ameaçando planos de reeleição e alianças partidárias. Interlocutores próximos às negociações revelam que o foco está em minimizar exposições simultâneas, reduzindo riscos para o núcleo governista e figuras influentes no Congresso.
Detalhes do Acordão Político em Negociação
O principal eixo do acordo seria a não prorrogação da CPMI do INSS, instalada para investigar supostos desvios em benefícios previdenciários estimados em bilhões de reais, com ligações a sindicatos e indicados políticos.
A comissão, que deve encerrar suas atividades até o fim de março, tem gerado preocupações no Palácio do Planalto e na ala petista, especialmente após revelações que envolvem autoridades do governo Lula e estruturas sindicais historicamente aliadas ao PT.
Paralelamente, há esforços para sepultar a ideia de uma CPI dedicada ao Banco Master, instituição liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 após escândalos de fraudes e lavagem de dinheiro.
A oposição pressiona pela criação da comissão, vendo nela uma oportunidade para constranger o governo, mas o Centrão – com proximidades a envolvidos no caso – resiste, unindo-se ao PT em uma rara convergência para barrar a instalação.
Líderes como o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, e figuras do governo têm sido citados em conversas nos bastidores, com a oposição criticando a suposta blindagem. O PT, por sua vez, adota cautela para evitar que o caso Master seja explorado eleitoralmente contra o STF e o Executivo, enquanto o Centrão busca preservar redes de relacionamento transversais em um ano de votações municipais.
Contexto e Implicações para 2026
Esse movimento reflete a dinâmica de um Congresso fragmentado, onde investigações como a CPMI do INSS – que já convocou governadores e rejeitou chamadas para nomes próximos ao Planalto – e a potencial CPI do Banco Master podem desestabilizar alianças.
O governo Lula, enfrentando críticas da oposição por vetos e resistências a comissões, tenta se descolar das crises, priorizando agendas econômicas. No entanto, a união entre Centrão e PT nesse acordão pode intensificar acusações de interferência nos poderes, alimentando debates sobre transparência


















