Imóveis de Ronaldinho Gaúcho usados como lastro em captação de R$ 330 milhões do Banco Master sem seu conhecimento
Dois terrenos pertencentes ao ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, localizados em Porto Alegre (RS), foram utilizados como garantia em uma operação financeira que captou R$ 330 milhões junto ao Banco Master, sem autorização ou ciência do atleta. A revelação faz parte de investigações do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal sobre supostas irregularidades no banco, liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em 2025.

Segundo apuração publicada pelo jornal O Globo, a Base Securitizadora — empresa ligada a César Reginato Ligeiro — emitiu Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) em agosto de 2023, lastreados em notas comerciais para suposto desenvolvimento dos imóveis.
Os recursos foram direcionados à S&J Consultoria e reinvestidos em fundos ligados ao próprio Banco Master e à gestora Reag, em um circuito que teria inflado artificialmente o balanço da instituição para atrair mais investidores.
A defesa de Ronaldinho afirmou que as negociações imobiliárias iniciadas em 2021 com empresas como União do Lago e Melk não avançaram devido a desacordos comerciais, falta de licenças ambientais e pendências de IPTU. O projeto foi cancelado antes da emissão dos títulos, e o ex-jogador não autorizou nem teve conhecimento da operação.
O advogado Maurício Haeffner destacou que não houve injeção significativa de recursos nos terrenos. O caso integra o escândalo maior do Banco Master, que envolve rombos bilionários, fraudes em consignados e conexões com a CPMI do INSS, onde Daniel Vorcaro (dono do banco) deve depor em fevereiro.
A inclusão involuntária do nome de Ronaldinho em títulos suspeitos reforça as suspeitas de uso indevido de ativos alheios para maquiar operações financeiras. As autoridades seguem apurando responsabilidades.


















