Material será enviado ao STF e à PGR em investigação do Banco Master
A Polícia Federal (PF) conseguiu superar as barreiras de segurança do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, utilizando ferramentas especializadas de quebra de criptografia. O aparelho, um iPhone de última geração com camada adicional de proteção, foi submetido a softwares avançados recentemente adquiridos pela corporação, capazes de romper criptografias complexas e recuperar inclusive dados apagados pelo usuário.
Vorcaro recusou-se a fornecer a senha durante depoimento à PF e à PGR, realizado em dezembro de 2025 nas dependências do Supremo Tribunal Federal (STF), sob determinação do ministro Dias Toffoli, relator do caso. Diante da negativa, os peritos prosseguiram com a análise técnica, que demandou semanas de trabalho devido à alta complexidade do dispositivo.
Os dados extraídos já estão em fase de compilação e serão compartilhados em breve com o STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR). Fontes da investigação indicam que o material poderá incluir mensagens, fotos e outros conteúdos deletados, ampliando o escopo da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de irregularidades na gestão do Banco Master, fraudes financeiras, possíveis pressões sobre autoridades para evitar liquidação da instituição e conexões com figuras do poder político e econômico.
O caso ganhou repercussão em Brasília, onde o avanço da perícia em aparelhos de figuras influentes tem gerado tensão em círculos políticos e empresariais. Reportagens anteriores destacaram o “pânico” na capital federal diante da possibilidade de devassa total em conteúdos privados de investigados com amplo trânsito no meio político, incluindo senadores, deputados e outros atores do poder.
A PF reforça que a quebra de criptografia segue protocolos legais e técnicos, com acesso restrito a peritos autorizados. O inquérito continua sob sigilo parcial, mas a expectativa é de que os dados relevantes sejam avaliados pelo STF e pela PGR nas próximas semanas, possivelmente após o Carnaval, para definir sua utilização como prova.
O Banco Master está sob escrutínio desde operações anteriores, com investigações envolvendo supostas fraudes em créditos, vendas de carteiras e relações com instituições como o BRB (Banco de Brasília). Vorcaro, dono de patrimônio significativo incluindo mansão de R$ 36 milhões em Brasília, nega irregularidades.


















