Negociação PT-MDB pela vice de Lula avança, mas Temer, chamado de ‘Golpista’ pelo petista, representa incômodo político
Conversas iniciais entre PT e MDB avançam para definir a composição da chapa presidencial de 2026, com o MDB — partido de figuras como Renan Calheiros e Helder Barbalho — pleiteando a vaga de vice na reeleição do petista Lula da Silva. A negociação, ainda em estágio preliminar, busca fortalecer a aliança no Nordeste e ampliar a base aliada, mas esbarra em um ponto sensível: a figura de Michel Temer, ex-presidente e filiado ao MDB, frequentemente qualificado por Lula como “golpista”.
Segundo o colunista Lauro Jardim, em sua coluna no O Globo, o impasse não impede o diálogo, mas cria uma “saia-justa” típica da política brasileira.
Ele escreveu: “Nesta negociação entre PT e MDB, ainda incipiente, mas negociação, para que a vice de Lula seja dada ao partido de Renan Calheiros e Helder Barbalho, resta um desses incômodos que a política costuma acomodar, mas não deixa de ser uma saia-justa: Michel Temer, a quem Lula não se cansa de qualificar, sempre que pode, como golpista.”
Temer, que assumiu a Presidência após o impeachment de Dilma Rousseff em 2016, permanece como um símbolo controverso no MDB. Apesar de sua influência ter diminuído nos últimos anos, sua presença no partido pode complicar a aceitação da chapa por setores mais radicais do PT, que veem Temer como antagonista histórico.
A aproximação PT-MDB reflete estratégia eleitoral para 2026: o MDB controla governos importantes no Nordeste e Norte (como o de Helder Barbalho no Pará) e possui capilaridade em estados chave, o que poderia ajudar Lula a compensar eventuais perdas de apoio em outras regiões. Renan Calheiros, senador pelo MDB-AL e articulador experiente, tem sido citado como um dos principais interlocutores nessa negociação.
Até o momento, o PT não confirmou publicamente as tratativas, e o MDB também mantém discrição. A vice-atual, Geraldo Alckmin (PSB), ainda é vista como opção forte para permanecer na chapa, mas a possibilidade de indicação para o MDB sinaliza manobras para ampliar a coalizão governista em um cenário de polarização crescente.
O desfecho dessa negociação pode definir o equilíbrio de forças na chapa de Lula e impactar diretamente a disputa presidencial de outubro de 2026.


















