Em comunicado oficial divulgado pelo Palácio de Buckingham, o monarca expressou “profunda preocupação” com as acusações e reforçou a importância de o caso seguir o devido processo legal.
O Rei Charles III quebrou o silêncio e se pronunciou pela primeira vez sobre a prisão de seu irmão mais novo, o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, detido nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026) pela polícia britânica sob suspeita de má conduta em cargo público.

“Recebi com profunda preocupação as notícias sobre Andrew Mountbatten-Windsor e a suspeita de má conduta em cargo público. O que se segue agora é o devido processo legal, justo e adequado, pelo qual esta questão será investigada de forma apropriada e pelas autoridades competentes. Neste sentido, como já afirmei, contam com o nosso total e irrestrito apoio e cooperação. Deixe-me ser bem claro: a lei deve seguir seu curso. À medida que este processo continua, não seria apropriado da minha parte comentar mais sobre o assunto. Enquanto isso, minha família e eu continuaremos cumprindo nosso dever e servindo a todos vocês”, declarou o rei Charles III.
A detenção de Andrew, que completou 66 anos no mesmo dia, ocorreu em sua residência em Sandringham (Norfolk), com buscas simultâneas em endereços em Berkshire e Norfolk. A Thames Valley Police confirmou que a operação investiga alegações de que, durante seu período como enviado comercial especial do Reino Unido (até 2011), Andrew teria compartilhado informações confidenciais do governo com o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein.

A investigação ganhou impulso após a divulgação recente de milhões de páginas de documentos pelo Departamento de Justiça dos EUA, incluindo e-mails que sugerem repasse de relatórios oficiais de viagens comerciais.

O ex-príncipe já havia perdido todos os títulos reais em outubro/novembro de 2025, por decisão do rei Charles III, incluindo o de “Alteza Real” e Duque de York, via Carta Patente publicada no The Gazette. Desde então, é chamado apenas de Andrew Mountbatten-Windsor.
A polícia enfatizou que a prisão segue “avaliação minuciosa” de denúncias apresentadas por grupos como o Republic, e que a investigação busca proteger a integridade do processo. O príncipe William e Kate, Príncipe e Princesa de Gales, manifestaram apoio à declaração do rei.
O caso reacende o escândalo Epstein na família real britânica, com debates sobre transparência na monarquia, violação de segredos de Estado, má conduta em cargo público e o impacto duradouro das conexões de Andrew com o falecido financista, que se suicidou em 2019 enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual de menores.
A prisão representa um dos capítulos mais graves da crise que abala a Casa de Windsor, com repercussões na imagem pública da monarquia e questionamentos sobre accountability de figuras reais.


















