O ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor, irmão mais novo do rei Charles III, tornou-se o primeiro membro de alto escalão da família real britânica a ser preso na história moderna, marcando um precedente inédito em mais de 300 anos. A detenção ocorreu nesta quinta-feira (19 de fevereiro de 2026), exatamente no dia em que completava 66 anos, em sua residência em Sandringham, Norfolk, por agentes da Thames Valley Police.
A prisão foi confirmada pela polícia, que informou: “um homem de sessenta e poucos anos de Norfolk sob suspeita de má conduta em cargo público e estamos realizando buscas em endereços em Berkshire e Norfolk”. Andrew permanece sob custódia, com possibilidade de permanência de até quatro dias, enquanto buscas simultâneas ocorrem em propriedades ligadas ao ex-duque.
O caso está diretamente relacionado ao escândalo envolvendo o financista e criminoso sexual Jeffrey Epstein, falecido em 2019. A investigação apura alegações de que Andrew, durante seu período como enviado comercial especial do Reino Unido (até 2011), teria repassado informações confidenciais do governo – incluindo relatórios de viagens oficiais a Hong Kong, Vietnã, Singapura e Shenzhen – ao magnata. Há ainda menções a acusações de que uma mulher teria sido levada ao Reino Unido por Epstein para um suposto encontro sexual com o ex-príncipe.

O chefe de polícia adjunto Oliver Wright declarou: “Após uma avaliação minuciosa, abrimos uma investigação sobre esta alegação de má conduta em cargo público”. Ele enfatizou: “É importante que protejamos a integridade e a objetividade da nossa investigação enquanto trabalhamos com os nossos parceiros para investigar este alegado crime. Entendemos o significativo interesse público neste caso e forneceremos atualizações no momento oportuno”.
Andrew já havia sido despojado de todos os títulos reais em novembro de 2025, por decisão do rei Charles III, via Carta Patente publicada no The Gazette: “O REI teve a satisfação de, por meio de Cartas Patentes sob o Grande Selo do Reino, datadas de 3 de novembro de 2025, declarar que Andrew Mountbatten-Windsor não terá mais o direito de deter e desfrutar do estilo, título ou atributo de ‘Alteza Real’ e da dignidade titular de ‘Príncipe’”. Ele perdeu também o título de Duque de York, passando a ser tratado apenas como Andrew Mountbatten-Windsor.
Historicamente, a última prisão de um monarca ou herdeiro direto remonta a Carlos I em 1647, durante a Guerra Civil Inglesa, ou casos isolados como Henrique VI e Ana Bolena no século XVI. Desde 1701, com a consolidação da monarquia constitucional, nenhum membro de alto escalão da coroa havia sido detido.
A família real manifestou prontidão para cooperar com as autoridades, e o rei Charles III expressou “profunda preocupação” com o irmão, reforçando que a lei deve seguir seu curso.
O episódio intensifica a crise na Casa de Windsor, já abalada por escândalos anteriores envolvendo Andrew – incluindo acusações de abuso sexual (negadas por ele) feitas por Virginia Giuffre – e levanta debates sobre transparência na monarquia britânica, má conduta em cargo público, conexões com criminosos sexuais e o impacto na imagem da coroa.


















