Chamamento público da Embratur, que resultou em contrato de R$ 350 milhões com empresa ligada a sócio de Daniel Vorcaro, é questionado na Justiça, mas foi aprovado pelo TCU como economicamente vantajoso
O aluguel de dois navios de cruzeiro para funcionar como hotéis flutuantes durante a COP30, realizada em Belém (PA) entre 10 e 21 de novembro de 2025, foi organizado pela Embratur por meio de um chamamento público com prazo extremamente curto para a entrega de propostas.

De acordo com documentos da agência, as empresas interessadas no contrato — cujo valor inicial estimado era de R$ 263 milhões — tiveram apenas quatro dias, entre 10 e 14 de maio de 2025, para apresentar suas viabilidades. A operação, planejada pela Secretaria Extraordinária para a COP30 (Secop) havia pelo menos 12 meses, acabou sendo vencida pela única participante: a Qualitours, da holding Befly.
A empresa é comandada pelo empresário Marcelo Cohen, apontado como sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, em Campos do Jordão (SP). Cohen já assumiu publicamente a propriedade do empreendimento, diferentemente de Vorcaro, que costuma vinculá-lo a outra companhia. Ao final do processo, o valor total do contrato fechou em R$ 350,2 milhões.
O curto prazo para a apresentação de propostas gerou questionamentos e até uma ação judicial. O vereador de Curitiba (PR), Guilherme Kilter (Novo), protocolou medida na Justiça argumentando que o limite de quatro dias comprometeu a competitividade do certame, ainda mais diante do longo planejamento do governo federal. Outro ponto criticado foi a cláusula que obriga o poder público a pagar por cabines não comercializadas, o que, segundo o vereador, transferia todo o risco da operação para o Estado, garantindo lucro à empresa privada.
Em nota oficial, a Embratur destacou que a Qualitours apresentou toda a documentação exigida para comprovar idoneidade e capacidade técnica. A estruturação financeira contou com garantia do BTG Pactual via carta-fiança, sem qualquer participação do Banco Master. Além disso, o contrato já passou por auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU).
Fonte: Metrópoles

















