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Pix x Zelle: por que o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos gera atrito com EUA

Enquanto o Pix é público, gratuito e universal, o Zelle é uma rede privada e limitada; especialistas apontam perda de receita de gigantes como Visa e Mastercard como principal motivo da insatisfação americana

A comparação entre o Pix e o Zelle voltou ao centro das discussões após declarações do deputado Eduardo Bolsonaro e a conclusão de investigação comercial dos EUA contra o Brasil. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, desenvolvido pelo Banco Central, é visto por Washington como uma possível prática desleal que prejudica empresas americanas. 

O Pix, criado e operado pelo Banco Central do Brasil, funciona como uma infraestrutura pública aberta a todas as instituições financeiras autorizadas. As transferências são instantâneas, gratuitas para pessoas físicas e disponíveis 24 horas por dia, sete dias por semana, promovendo forte inclusão financeira.

Já o Zelle, lançado em 2017, é uma plataforma privada controlada por um consórcio de grandes bancos americanos. Seu uso é restrito às instituições participantes (cerca de 2.400), as transferências podem levar alguns minutos e não possui o mesmo caráter universal do modelo brasileiro.

Especialistas destacam que o desconforto dos EUA decorre principalmente da queda de receita das operadoras de cartões de crédito, como Visa e Mastercard, que perdem espaço com o avanço do Pix em transações que antes passavam por seus sistemas. Em documento recente, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) citou o Pix entre os motivos para propor tarifas de até 25% sobre produtos brasileiros. 

Advogados e economistas ressaltam que o modelo público e regulado pelo Banco Central dá ao Pix maior alcance, transparência e proteção ao consumidor em comparação ao Zelle, que compete com outras soluções privadas como Venmo e Cash App.

O Pix tem sido elogiado internacionalmente, inclusive pelo Nobel de Economia Paul Krugman, que o descreveu como “uma versão pública do Zelle”.

Fonte: O Globo / Globo News

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