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PF revela diálogos de Vorcaro citando Jaques Wagner como canal para recado a Lula

Mensagens no celular do banqueiro do Banco Master indicam proximidade com o líder do governo no Senado e sugerem uso de intermediários políticos; Wagner nega qualquer relação e intermediação

A Polícia Federal identificou mensagens no aparelho celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, que mencionam o senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado, como possível intermediário para enviar informações ao petista Lula. Os diálogos, obtidos com exclusividade pelo jornal Estadão, fazem parte das investigações da Operação Compliance Zero. 

De acordo com a PF, as conversas revelam detalhes sobre o relacionamento entre Vorcaro e Wagner, incluindo o acesso direto do banqueiro ao telefone do senador e o agendamento de encontros. A apuração também aponta que Vorcaro e o ex-sócio Augusto Lima teriam oferecido vantagens indevidas ao parlamentar em troca de atuação favorável aos interesses do banco em pautas legislativas e regulatórias.

O diálogo que menciona Lula

Uma troca de mensagens de julho de 2024, entre Vorcaro e o diretor comercial do Banco Master, Fernando Mascarenhas Filho, destaca a suposta proximidade do banco com o governo federal. Mascarenhas escreveu: “Unica coisa que falaram que somos proximos do governo, igual irmaos batista sao. O que é verdade rsrs”.

Vorcaro respondeu comemorando o “marketing” e sugeriu: “Isso aí é marketing pra nós. Manda pro Lula e pra base aliada”.

O funcionário então replicou: “Vou mandar então pra tio Guiga e Jaques”. Para a PF, “Guiga” refere-se ao publicitário baiano Guilherme Sodré, apontado como operador financeiro próximo a Wagner. 

A autoridade policial transcreveu o trecho da seguinte forma: “… sugeriu encaminhar o material ao Presidente Lula e à base aliada. O interlocutor então replicou: ‘vou mandar então pra tio guiga e Jaques’ – referência direta a GUILHERME SODRÉ MARTINS e ao Senador JAQUES WAGNER”.

Defesa de Jaques Wagner

Em nota enviada ao Estadão, o senador Jaques Wagner reiterou não ter nenhuma relação com Daniel Vorcaro. “Não pode ser responsabilizado por conversas de terceiros, que sequer participou e em contexto que sequer sabe qual foi”, afirmou. “Não existiu intermediação e não existe relação”, completou. 

Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase da Operação Compliance Zero, realizada em 18 de junho. A PF investiga suspeitas de que ele teria recebido propina por meio da compra de um apartamento de R$ 2,5 milhões e pagamentos a uma empresa de familiar, totalizando cerca de R$ 3,5 milhões, oriundos de Augusto Lima.

Contexto da investigação

A Polícia Federal sustenta que Vorcaro e Lima teriam atuado para beneficiar o Banco Master em temas como ampliação do crédito consignado, aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a tentativa de venda do banco ao BRB. Os investigadores apontam “elementos convergentes” de que Wagner recebeu vantagens econômicas em correlação com sua atividade parlamentar.

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