Home / Economia / Distratos e devoluções de imóveis ultrapassam R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre

Distratos e devoluções de imóveis ultrapassam R$ 2,1 bilhões no primeiro semestre

Levantamento de grandes incorporadoras de capital aberto aponta avanço expressivo de quase 28% nos cancelamentos de contratos, pressionados pelo encarecimento do crédito e juros elevados

O mercado imobiliário brasileiro enfrenta um cenário de alerta com o expressivo crescimento no volume de cancelamentos de compras de imóveis residenciais e comerciais. Dados consolidados de dez incorporadoras de capital aberto revelam que o montante referente aos distratos atingiu a marca de R$ 2,167 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026. O patamar representa um avanço expressivo de 27,7% na comparação com o mesmo período do ano anterior. 

Na prática, o indicador traduz unidades habitacionais e comerciais que haviam sido comercializadas, mas cujos contratos foram rescindidos, fazendo com que os bens retornassem ao estoque das empresas construtoras. Entre as companhias monitoradas, a Direcional registrou um volume expressivo de R$ 635,8 milhões em distratos, o que representa uma alta de 69,5%. Outro impacto de destaque recaiu sobre a Tenda, que contabilizou R$ 340,4 milhões em cancelamentos, englobando perdas atreladas a empreendimentos afetados por impasses ambientais. 

O contraste com as vendas e o impacto dos juros

O avanço das devoluções ocorre em um momento paradoxal, visto que o mercado primário de imóveis novos registra expansão nas negociações. Segundo levantamento conjunto da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e da Brain Inteligência Estratégica, as vendas totais avançaram 5,4% no primeiro semestre, alcançando a marca de 226,5 mil unidades comercializadas no país. O segmento econômico, impulsionado pelo programa federal Minha Casa, Minha Vida, concentrou metade das transações no segundo trimestre, enquanto os padrões médio e alto perderam espaço relativo. 

Especialistas apontam que a alta na taxa básica de juros (Selic, atualmente em 14% ao ano) exerce forte pressão sobre a capacidade financeira dos compradores. Com o encarecimento do crédito bancário, parcela considerável dos adquirentes encontra dificuldades para honrar os compromissos de financiamento habitacional no momento crucial da entrega das chaves, culminando na desistência e devolução do bem. 

Fonte: veja

*Imagem da capa gerada por IA

Marcado:

Deixe um Comentário