Documentos obtidos pela Polícia Federal mostram transferências de R$ 40 milhões e R$ 33 milhões em 2024 a bancas de Viviane Barci de Moraes e Dalide Corrêa, esta última mencionada em conversas internas como via de comunicação direta com o Supremo Tribunal Federal
Detalhes de uma auditoria interna encomendada pelo Banco de Brasília (BRB) para avaliar a operação envolvendo o banco controlado por Daniel Vorcaro vieram à tona por meio de documentos localizados pela Polícia Federal. O material aponta suspeitas em torno de elevados valores transferidos ao longo de 2024 a dois escritórios de advocacia: o de Viviane Barci de Moraes e o de Dalide Corrêa. O relatório da auditoria registra que, no ano fiscal de 2024, o Master destinou R$ 40 milhões ao escritório Barci de Moraes, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.



No mesmo período, outros R$ 33 milhões foram pagos ao escritório Alves Corrêa, da advogada Dalide Corrêa. Esses montantes integraram um total de R$ 215 milhões gastos com despesas jurídicas naquele ano, cifra bem superior aos R$ 76 milhões registrados no ano fiscal anterior. Trecho do documento, encontrado pela PF junto a dirigentes do BRB, destaca a preocupação dos auditores: “Do total de R$ 215 milhões no FY24 [ano fiscal de 2024] (comparado com R$ 76 milhões em FY23), a maior parte refere-se a R$ 40 milhões destinados ao escritório Barci de Moraes, seguido de R$ 33 milhões pagos ao Alves Corrêa [da advogada Dalide Corrêa]. Consideramos essencial compreender o nível habitual dessas despesas para avaliar seu impacto no modelo financeiro. Contudo, não recebemos da administração uma definição sobre o patamar usual para esse tipo de gasto”.
Dalide Corrêa aparece citada em diálogos de diretores do Master, também apreendidos pela Polícia Federal no âmbito da Operação Compliance Zero. Nessas conversas, os pagamentos a ela são justificados sob o argumento de que representariam um “canal direto com o STF”. A advogada, no entanto, rejeitou qualquer atuação nesse sentido. Em nota, ela afirmou que “jamais atuou para o Master no Supremo Tribunal Federal nem procurou ministros da Corte para tratar de assuntos relativos ao banco”.
Pessoas próximas a Dalide Corrêa explicaram que ela prestou serviços a instituições financeiras que posteriormente foram adquiridas pelo Master. Em razão dessa trajetória, passou a atender o próprio banco em questões jurídicas, porém sem qualquer envolvimento com tribunais superiores. Nas eleições de 2022, a advogada constava como suplente na chapa de João Campos, candidato do Republicanos ao Senado por Goiás, que não conseguiu a eleição.
O escritório Barci de Moraes optou por não se manifestar sobre os valores apontados na auditoria. Nos diálogos analisados pela PF, não há menções ao ministro Gilmar Mendes ou a qualquer outro integrante do Supremo Tribunal Federal. Nenhum deles foi alvo de diligências ou medidas de investigação específicas na Operação Compliance Zero até o momento.
A auditoria interna do BRB foi realizada justamente para examinar a relação operacional e financeira com o banco de Daniel Vorcaro. Os documentos reforçam a atenção da Polícia Federal sobre o volume atípico de despesas com honorários advocatícios em 2024 e a forma como esses pagamentos eram internamente justificados por executivos do Master.
Os elementos reunidos mantêm o foco na verificação da regularidade dos contratos e na motivação dos elevados valores transferidos, sem que a Polícia Federal tenha, até agora, emitido juízo definitivo sobre a legalidade dos serviços prestados pelas bancas citadas.
Fonte: Estadão
*Imagem da capa gerada por IA


















