Troca de mensagens extraídas do celular do empresário Daniel Vorcaro expõe articulações políticas, relatos de encontros com o petista e menções a presentes e festas nos bastidores de Brasília
Novos desdobramentos sobre as investigações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, vêm à tona por meio de registros e mensagens extraídas de seu telefone celular. O material detalha conversas mantidas com o advogado Walfrido Warde, que atuava como intermediário na tentativa de abrir canais diretos de comunicação com o Palácio do Planalto. Entre os trechos que mais chamaram a atenção nos diálogos, constam relatos de que o petista Lula da Silva teria demonstrado vontade de participar de uma festa, especificamente mencionando a ausência da primeira-dama, Rosângela da Silva, a Janja.



Articulações e diálogos de bastidor
De acordo com o material recuperado das conversas do banqueiro, o defensor relatava com frequência os bastidores de suas movimentações e reuniões atribuídas ao alto escalão do governo federal. Em um dos trechos destacados das mensagens, ao comentar sobre a possibilidade de socializar ou integrar eventos, o advogado mencionou o interesse do chefe do Executivo em marcar presença em um ambiente descontraído, ressaltando o detalhe sobre a composição dos convidados: “Ele quer participar hahahahaha. Sem a Janja. Cara vamos fazer uma grande farra. Sem ele claro”, afirmou o interlocutor em um dos trechos da conversa com Vorcaro.
As conversas evidenciam uma rotina de relatos em que o advogado detalhava encontros presenciais e impressões colhidas junto ao presidente. Em datas anteriores, registros já apontavam interações nas quais o defensor afirmava ter passado longos períodos reunido com o mandatário, antecipando retornos positivos ao cliente e sugerindo proximidade com figuras centrais da administração pública.
Presentes, agradecimentos e o posicionamento oficial
Além das menções a eventos sociais, os diálogos recuperados do aparelho telefônico abordam outras interações atribuídas ao cotidiano político, incluindo o agradecimento por presentes. Em mensagens datadas de janeiro de 2025, o defensor relatou a Vorcaro que havia se encontrado com o presidente e que este teria perguntado sobre a situação do empresário, além de reiterar agradecimentos pelo recebimento de uma garrafa de uísque e enviar cumprimentos ao banqueiro.
Em contrapartida, instâncias oficiais do governo federal têm rechaçado o teor das mensagens divulgadas. A Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) posicionou-se sobre o caso afirmando que o presidente da República não tem conhecimento de supostas articulações conduzidas por terceiros e que jamais recebeu presentes ou enviou recados nos moldes descritos nas conversas do empresário com seu representante legal. O Palácio do Planalto também tem enfatizado que, durante a atual gestão, órgãos de controle e regulação, como o Banco Central, atuaram de forma técnica nos processos que culminaram na liquidação da instituição financeira ligada a Vorcaro, que também foi alvo de operações da Polícia Federal.
O material extraído do celular continua sob escrutínio no âmbito das apurações que envolvem o caso do Banco Master, alimentando debates no cenário político nacional acerca das redes de influência e das relações entre o setor financeiro e autoridades dos Três Poderes.
Fonte: O Globo
*Imagem da capa gerada por IA


















