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Procurador-Geral da Bolívia é preso após sanções dos EUA

Operação policial em Santa Cruz de la Sierra resulta na detenção de Roger Mariaca dias após o cancelamento de seu visto pelo governo norte-americano, desencadeando forte comoção política e denúncias de “sequestro” por parte de integrantes do Ministério Público boliviano

 O procurador-geral da República da Bolívia, Roger Mariaca, foi preso na noite de uma quarta-feira, 30 de setembro, no Aeroporto Internacional de Viru Viru, localizado na cidade de Santa Cruz de la Sierra. A detenção ocorreu sob acusações de supostos vínculos com o narcotráfico e comando de estruturas ilícitas, desdobramento que repercute intensamente em virtude das investigações sensíveis que o órgão conduzva na região. 

A prisão de Mariaca foi efetuada apenas dias depois de o governo dos Estados Unidos anunciar o cancelamento formal de seu visto de entrada no país sob alegações de ligações com esquemas de criminalidade organizada.

O Contexto das Investigações e os Alvos de Repercussão Regional

A atuação do Ministério Público boliviano sob a chefia de Mariaca vinha ganhando os holofotes internacionais por abranger inquéritos de grande sensibilidade política na América Latina. Entre as frentes de trabalho da força-tarefa estava a apuração de acusações envolvendo o ativista e estrategista Fernando Cerimedo, amplamente conhecido como um dos principais articuladores e expoentes da extrema direita na região, além de manter forte proximidade política com o presidente argentino Javier Milei e com o clã Bolsonaro.

Antes de sua prisão, o próprio procurador-geral havia rebatido duramente as medidas impostas por Washington, classificando a revogação de seu visto diplomático como um ato claro de interferência e pressão política motivada diretamente pelas investigações em andamento.

Reação Interna e Denúncias de “Sequestro”

A captura de Roger Mariaca gerou uma reação imediata e contundente dentro das instâncias do Ministério Público da Bolívia. Funcionários e promotores da instituição realizaram transmissões ao vivo e pronunciamentos públicos para denunciar o que classificaram formalmente como um “sequestro do Procurador-Geral do Estado” e uma grave violação aos direitos institucionais. 

A defesa e aliados de Mariaca pontuaram publicamente que uma acusação formal não configura sentença definitiva e que nenhum cidadão pode ser processado sem o devido trâmite probatório transparente. Apesar das contestações, o governo boliviano agiu rapidamente para reorganizar a cúpula do órgão persecutório: Luis Montaño Morales foi nomeado interinamente para assumir o comando da Procuradoria-Geral, enquanto o Congresso do país se prepara para debater os trâmites constitucionais para a escolha definitiva de um novo titular para o cargo.

Fonte: Veja

*Imagem da capa editada por IA

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