Presidenciável do Avante, que recebeu 2,89% dos votos, afirma ter convicção de não seguir na vida pública e proíbe menções de suporte a Lula ou Flávio Bolsonaro em seu nome
Após o resultado do primeiro turno das eleições de 2026, o candidato à Presidência da República Augusto Cury, do Avante, declarou neste domingo (4 de outubro) que pretende abandonar a política. Em entrevista coletiva realizada à noite em Ribeirão Preto (SP), ele também deixou claro que não se posicionará sobre os candidatos que disputarão o segundo turno e que ninguém está autorizado a falar em seu nome ou no de seu vice a respeito de eventual apoio.

Cury acompanhou a apuração dos votos na cidade do interior paulista ao lado da família e do candidato a vice-presidente da chapa, Júlio Delgado, do Podemos. Com 99,99% das urnas apuradas, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o médico e escritor somava 2,89% dos votos válidos, o equivalente a 3.448.565 sufrágios, ficando em terceiro lugar na disputa presidencial.
Durante a coletiva, Cury expressou respeito à decisão das urnas, mesmo demonstrando tristeza pelo desempenho. “Hoje eu tenho claro dentro de mim, 100% de convicção, que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande, até porque nós temos vários projetos”, afirmou. Ele acrescentou que, se o povo brasileiro optou por manter a polarização, cabe apenas respeitar a vontade soberana da população, sem mágoas. “Estou triste porque eu sei que eu poderia fazer muito junto com o Júlio Delgado, mas, por outro lado, é o exercício da democracia. A beleza da democracia está na divergência, e não na unanimidade.”
Sobre o segundo turno, marcado para 25 de outubro entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), o candidato foi categórico ao adotar uma postura de silêncio total. “Eu me silencio completamente em relação àqueles que estarão no segundo turno, se é que vai haver segundo turno, e dizendo o seguinte, que ninguém está autorizado em meu nome e nem em nome do Júlio a pedir ou dizer que vai apoiar qualquer um dos candidatos. E eu gostaria de me silenciar em relação a isso. Não quero responder nada em relação ao segundo turno, porque para mim isso é completo.”
Cury agradeceu aos eleitores que confiaram em suas propostas, mas criticou o que classificou como preferência de grande parte da população por um debate superficial em detrimento de ideias concretas. “A doença da polarização leva as pessoas a um superficialismo em relação à política de Estado. Nada é tão triste. Eu aceito plenamente os resultados da eleição, tanto eu como o Júlio Delgado, plenamente.” Ele também condenou a prática do voto útil, considerando-a prejudicial à liberdade individual. “Isso é cruel, porque você retira das pessoas a liberdade delas poderem exercer o seu direito solene de votar.”
A declaração de saída da política marca o fim da tentativa de Cury de ocupar o Palácio do Planalto em 2026, depois de uma campanha centrada em propostas de saúde mental, educação e combate à polarização. O candidato e seu vice reiteraram plena aceitação do resultado das urnas e o compromisso de não interferir na disputa final.
Fonte: G1
*Imagem da capa editada por IA

















