Nova etapa na aviação militar sul-americana consolida a transferência de tecnologia entre a sueca Saab e a Embraer, com testes bem-sucedidos no interior paulista
A indústria aeroespacial e de defesa da América do Sul atingiu um patamar inédito. O primeiro caça supersônico Gripen E fabricado inteiramente fora da Suécia realizou com sucesso o seu voo inaugural. A decolagem ocorreu na última terça-feira, 6 de outubro de 2026, exatamente às 10h21, partindo do aeródromo da Embraer localizado no município de Gavião Peixoto, no interior do estado de São Paulo.

A aeronave — que representa um marco na soberania tecnológica e de defesa do país — foi conduzida pelo piloto-chefe de testes da Saab, Jakob Högberg. O ensaio inicial teve como foco principal a checagem detalhada dos sistemas básicos e a verificação do desempenho preliminar do jato em condições reais de voo.
O planejamento e a parceria estratégica
O planejamento e a execução de toda a atividade de ensaio em voo ficaram sob a responsabilidade direta de engenheiros de voo da Embraer, contando com o suporte técnico essencial das equipes da Saab. Esta etapa coroa o bem-sucedido programa de transferência de tecnologia estabelecido no acordo bilateral do projeto Gripen, transformando o conhecimento sueco em competências industriais instaladas e ativas em território brasileiro.
Para Marcus Wandt, chefe da área de negócios de Aeronáutica da Saab, o feito demonstra o avanço e a maturidade da produção nacional. Já Bosco da Costa Junior, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança, destacou que o voo consolida uma estratégia de longo prazo que uniu a visão da Força Aérea Brasileira (FAB), a excelência da Saab e a capacidade de engenharia da Embraer.
Próximos passos e integração à frota da FAB
Com a conclusão bem-sucedida do primeiro voo, o caça entra em sua fase final de validação. O cronograma prevê a realização de toda a campanha de testes de aceitação de produção. Na sequência, a aeronave passará pelos processos oficiais de certificação de aeronavegabilidade para, finalmente, ser entregue formalmente à Força Aérea Brasileira.
Uma vez incorporado oficialmente à frota, o jato será trasladado para a Base Aérea de Anápolis, no estado de Goiás. Lá, ele passará a integrar o 1º Grupo de Defesa Aérea (1º GDA), unidade militar que já opera os demais caças Gripen E entregues anteriormente ao Brasil.
Estrutura e expansão futura
O complexo da Embraer em Gavião Peixoto abriga atualmente a única linha de produção ativa de caças supersônicos em toda a América do Sul. A planta está plenamente integrada à rede global de manufatura e à cadeia de suprimentos da fabricante sueca.
O contrato original firmado com o governo brasileiro abrange um total de 36 aeronaves, divididas entre unidades monoposto (Gripen E) e biposto (Gripen F). Além disso, discussões recentes entre a Embraer e a Saab apontam para potenciais expansões futuras na capacidade industrial instalada, abrindo portas para a fabricação de lotes adicionais voltados tanto para atender a demandas estratégicas do Brasil quanto a futuras oportunidades no mercado internacional.
Fonte: Veja
*Imagem da capa editada por IA


















