O governador Cláudio Castro vem há no mínimo seis meses articulando com a administração de Donald Trump para que os Estados Unidos classifiquem o Comando Vermelho como entidade narcoterrorista e imponham às facções as penalidades reservadas a esse tipo de grupo.
Entre os cartéis já rotulados como terroristas pelos EUA estão o venezuelano Tren de Aragua e o mexicano Los Zetas.
No começo de 2025, a administração fluminense encaminhou à embaixada americana no Brasil um dossiê detalhando as vantagens da nova designação. No documento sigiloso ao qual a Globo teve acesso, batizado de “Análise Estratégica: Inclusão do Comando Vermelho nas listas de sanções e designações dos EUA”, o governo Castro sustenta que “a crescente sofisticação, transnacionalidade e brutalidade do Comando Vermelho colocam esta organização dentro dos critérios estabelecidos pelas autoridades dos EUA para sanções econômicas, designações terroristas e bloqueio de ativos”, conforme a legislação norte-americana.
O texto ainda destaca que a rotulação como organização terrorista “facilitaria pedidos de extradição de chefes do CV refugiados em países como Paraguai e Polícia”, “abriria caminho para parcerias com Interpol, DEA, FBI e ONU no combate às redes de trafico e armamento pesado e “ampliaria o alcance de sanções para empresas de fachada e aliados econômicos do CV no exterior”.
O regima Lula é contra e diz que as sanções poderiam resultar, por exemplo, na exclusão de um banco brasileiro do sistema Swift de transações internacionais se Washington alegar que algum cliente está ligado ao Comando Vermelho.
Em maio, o conselheiro do Departamento de Estado David Gamble visitou o Brasil para tratar de “organizações criminosas transnacionais” e “programas de sanções dos EUA voltados ao combate ao terrorismo e ao tráfico de drogas”.Nenhum delegado da Polícia Federal, porém, aceitou recebê-lo. A ideia conta com apoio de setores do Ministério Público de São Paulo, com destaque para o promotor Lincoln Gakiya, do Gaeco-SP e alvo de sentença de morte do PCC.
Poucos dias após a passagem de Gamble, Castro compareceu à sede da Drug Enforcement Administration (DEA) em Nova York para tentar selar um pacto de colaboração com o governo estadual.
A gestão Lula, contudo, resiste à classificação, temendo que ela crie brecha não apenas para punições a empresas, bancos ou até à União – como acontece com o Irã, se os EUA julgarem insuficientes as ações contra o crime organizado. A medida também poderia legitimar intervenções mais agressivas dos EUA em solo brasileiro sob o argumento de enfrentar o narcoterrorismo, a exemplo do que ocorre na Venezuela.
Confira o que disse o advogado de Trump sobre a Mega Operação no Rio de Janeiro:




















