Os Estados Unidos intensificaram na sexta-feira (5/12) a pressão sobre o governo da Nicarágua, qualificado como “ditadura” pelo Departamento de Estado, ao exigir a libertação imediata de “todos os presos políticos” e advertir que “estão vigiando” as violações de direitos humanos no país centro-americano.
A declaração, divulgada no contexto das festas de fim de ano, destaca o sofrimento de famílias com entes queridos detidos arbitrariamente pelo regime do presidente Daniel Ortega e da vice-presidente Rosario Murillo.
“Nestas festas, muitos nicaraguenses verão em suas mesas lugares vazios onde deveriam estar seus entes queridos, mulheres e homens detidos injustamente ou desaparecidos arbitrariamente pela ditadura Murillo-Ortega”, afirmou o Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental do Departamento de Estado em postagem na rede social X (ex-Twitter).
“Sua dor e incerteza são um lembrete diário da desumanidade do regime. Libertem já todos os presos políticos nicaraguenses. Os EUA estão vigiando”, exigiu o órgão vinculado ao Departamento de Estado.
A cobrança ocorre uma semana após o presidente Donald Trump classificar a Nicarágua, ao lado de Cuba e Venezuela, como dominada por “narcoterroristas”, e ecoa denúncias anteriores do governo norte-americano.
Em fevereiro, o secretário de Estado Marco Rubio descreveu o país como um dos “inimigos da humanidade”, criticando o regime sandinista como uma “dinastia familiar com uma copresidência que basicamente tentou eliminar a Igreja Católica, tudo o que é religioso e tudo o que possa ameaçar o poder desse regime”.
De acordo com o Mecanismo para o Reconhecimento de Pessoas Presas Políticas – entidade cujos dados são endossados pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) –, pelo menos 62 opositores e críticos do governo permanecem encarcerados, incluindo 18 idosos e 28 em condição de “desaparecimento forçado”.
Entre os detidos destacam-se o ex-comandante da revolução sandinista Henry Ruiz, confinado em prisão domiciliar desde 8 de março pela Polícia Nacional; o antigo assessor de Ortega e general aposentado Álvaro Baltodano Cantarero; líderes indígenas como Brooklyn Rivera Bryan, Steadman Fagoth Müller e Nancy Elizabeth Henríquez (parte dos idosos presos); e militares aposentados como Carlos Brenes, Víctor Boitano, Aníbal Rivas Reed e Eddie Moisés González Valdivia.
O Escritório de Assuntos do Hemisfério Ocidental já havia condenado, em ocasiões anteriores, a prisão de dissidentes e guardas florestais comunitários na Nicarágua. A nova exigência reflete a escalada de tensões diplomáticas, com os EUA impondo sanções econômicas e restrições de visto contra autoridades nicaraguenses desde 2018, em resposta à repressão pós-protestos de 2018 que deixou mais de 300 mortos.
Organizações internacionais, como a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, corroboram as denúncias de detenção arbitrária como ferramenta para silenciar a oposição, jornalistas e ativistas religiosos.
Embora o regime de Ortega-Murillo não tenha respondido publicamente à nota norte-americana até o momento, analistas veem na declaração um sinal de endurecimento da política externa de Trump em relação aos regimes de esquerda na América Latina, alinhando-se a ações recentes como o congelamento de ativos de aliados do governo nicaraguense. A CIDH, em relatório de novembro, alertou para o risco de “colapso total” do Estado de direito no país, com mais de 1.600 prisões políticas registradas desde 2018.


















