A 11ª Pesquisa Gerp, divulgada em 11/12/25, trouxe um dado que merece atenção cuidadosa:
Pela primeira vez em sua série histórica, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece numericamente à frente do petista Lula da Silva em um cenário simulado de segundo turno para as eleições presidenciais de 2026.

Com 42% das intenções de voto contra 41% de Lula — diferença de apenas um ponto, dentro da margem de erro de 2,24% —, o levantamento registra um empate técnico, mas simboliza uma virada notável para o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Realizada por telefone entre 6 e 10 de dezembro com 2 mil entrevistados em todo o país, a pesquisa capturou os efeitos imediatos do anúncio da pré-candidatura de Flávio, feito poucos dias antes. O senador viu seu índice de conhecimento subir de 73% para 80%, e na lembrança espontânea de nomes para presidente, saltou de 0% para 7% — atrás apenas de Lula (26%) e do pai (12%).
No cenário estimulado de primeiro turno, Flávio cresceu de 17% para 25%, consolidando-se como o principal nome da oposição conservadora, enquanto Lula mantém 34%.
Esses números não surgem do nada. Eles refletem a rápida unificação do eleitorado bolsonarista em torno do herdeiro designado, num momento em que a avaliação negativa do governo Lula atingiu 51% (ruim/péssimo).
O desgaste do petista, somado à oarticipação do povo na política brasileira, cria terreno fértil para que nomes associados ao bolsonarismo recuperem competitividade — mesmo diante das limitações jurídicas que impedem Jair Bolsonaro de concorrer.
Um adversário a altura
A Gerp, conhecida por metodologias telefônicas que por vezes favorecem perfis mais conservadores, registra aqui um alerta positivo para o senador. O crescimento acelerado de Flávio indica que a estratégia familiar de transferência de votos pode funcionar melhor do que muitos analistas fingem não ver.
O cenário para 2026 permanece é certo. Lula enfrenta rejeição elevada e desafios econômicos que vão erodir sua base.
O que a pesquisa Gerp revela, acima de tudo, é que a sucessão do bolsonarismo está a todo vapor. Com quase um ano pela frente, a disputa presidencial ganha contornos de maior equilíbrio e força
A resposta virá das ruas, das redes e, inevitavelmente, das urnas. Que venha o debate – o Planalto que se prepare.

















