Brasil não pressionará Maduro a renunciar, afirma Celso Amorim
O assessor especial para assuntos internacionais da Presidência da República, Celso Amorim, declarou que o governo brasileiro não exercerá pressão para que o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, renuncie ou deixe o poder.
“Se Maduro chegar à conclusão de que deixar [o poder] é a melhor coisa para ele e a melhor coisa para a Venezuela, será a sua conclusão… O Brasil nunca imporá isto; nunca dirá que isto é uma exigência… Não vamos pressionar para que Maduro renuncie ou abdique”, afirmou Amorim em entrevista publicada nesta segunda-feira (8) pelo jornal britânico The Guardian.

O ex-ministro das Relações Exteriores e da Defesa destacou que suas declarações foram feitas “de maneira pessoal”, mas reconheceu a existência de controvérsias nas eleições presidenciais venezuelanas de julho de 2024. Ainda assim, posicionou-se contra qualquer intervenção militar estrangeira no país vizinho.
“Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, declarou.
A entrevista ocorre em meio a escalada de tensões entre Washington e Caracas. O governo dos Estados Unidos, agora sob comando de Donald Trump, acusa Maduro de liderar um “cartel de drogas” e tem realizado operações navais e aéreas contra embarcações suspeitas no Pacífico e no Caribe. Trump anunciou recentemente que ataques a alvos do narcotráfico “em terra” terão início em breve, sem especificar locais.
Do lado venezuelano, o governo mobilizou forças militares em resposta ao que classifica como ameaças de invasão por parte dos Estados Unidos, acusando a Casa Branca de tentar impor uma troca de regime à força.


















