Moraes determina perícia médica da PF em Bolsonaro em 15 dias para avaliar cirurgia.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira (11/12) que a Polícia Federal (PF) realize perícia médica no presidente Jair Bolsonaro (PL) em até 15 dias.
A avaliação, oficial e independente, visa comprovar a urgência de intervenção cirúrgica alegada pela defesa, que aponta piora em hérnia inguinal e crises de soluços como sequelas de procedimentos anteriores.
A decisão atende a pedido protocolado pelos advogados na terça-feira (9/12), que solicitavam prisão domiciliar para o ex-mandatário, argumentando agravamento de seu quadro de saúde e a necessidade de internação hospitalar com anestesia geral.
Moraes, no entanto, rejeitou a liberação imediata, destacando que os laudos apresentados pela defesa não são atuais – o mais recente data de três meses atrás – e que, desde a prisão em 22 de novembro, não houve registro de emergências médicas.
“Desde aquele momento, não houve nenhuma notícia de situação médica emergencial ocorrida com Jair Messias Bolsonaro”, registrou o ministro em despacho na Execução Penal 169, que executa a pena de 27 anos e três meses por tentativa de golpe que nunca aconteceu.

Bolsonaro cumpre regime fechado em uma cela de 12 metros quadrados na Superintendência da PF em Brasília, com atendimento médico em tempo integral. O presidente tem se queixado do espaço exíguo e da assistência insuficiente, conforme relatos de familiares e advogados.
Segundo fontes ouvidas Moraes cogita transferi-lo para um ambiente maior, ainda em regime fechado – uma das opções seria o Complexo da Papuda, onde está detido o ex-ministro Anderson Torres –, mas sem alterar o status prisional.
A percepção de outros magistrados é de que, no curto prazo, está descartada a chance de o ministro conceder prisão domiciliar para Bolsonaro. Além da necessidade de reforçar uma imagem de força do STF, a tentativa de violar a tornozeleira eletrônica tornou-se um complicador para o dirigente de direita.
O receio é de que, ao obter o benefício da prisão domiciliar neste momento, o presidente adote alguma estratégia de se abrigar em uma representação diplomática.
Para 2026, no entanto, a percepção é de que caberia o regime domiciliar diante do quadro de comorbidades físicas do presidente, que tem crises de soluço e enjoo permanentes.
A perícia da PF subsidiará decisões futuras sobre o caso, em meio a tensões crescentes entre a defesa e o Judiciário.

Nesta quinta (11/12), Moraes também autorizou visitas de Michelle Bolsonaro e do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na PF.


















