Naveed Akram é acusado de 15 assassinatos e atos inspirados no Estado Islâmico. Heróis civis ajudaram a conter o massacre durante Hanukkah.
O australiano Naveed Akram, de 24 anos, que sobreviveu a um confronto com policiais durante o ataque terrorista na praia de Bondi Beach, acordou do coma induzido na terça-feira (16) e foi indiciado por 59 delitos graves, incluindo ato terrorista, 15 homicídios qualificados e 40 tentativas de lesão corporal grave.

O incidente ocorreu no domingo (14), durante a celebração da primeira noite do Hanukkah em Archer Park, próximo à icônica praia de Bondi, em Sydney. O ataque, que vitimou 15 pessoas e feriu dezenas, foi executado por Naveed ao lado de seu pai, Sajid Akram, de 50 anos, morto no local pela polícia.
De acordo com investigações da Polícia de Nova Gales do Sul, os suspeitos foram influenciados pela ideologia do Estado Islâmico. Autoridades confirmaram a presença de bandeiras improvisadas do grupo extremista e dispositivos explosivos no veículo usado pelos atiradores.
A pena máxima para crimes de terrorismo e assassinato na Austrália prevê prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
Os funerais das 15 vítimas, cujas idades variam de 10 a 87 anos, iniciaram-se na terça-feira (16) e prosseguem nesta quarta (17), deixando o país em profundo luto.
Os atiradores foram identificados como Sajid Akram, imigrante indiano que chegou à Austrália em 1998, e seu filho Naveed, nascido no país. Naveed já havia sido monitorado pela Agência Australiana de Inteligência de Segurança (ASIO) desde outubro de 2019 devido a possíveis conexões com extremistas, embora não houvesse evidências suficientes para detenção na época.
O atentado contou com atos de coragem que ajudaram a conter o avanço dos suspeitos. Circulam nas redes sociais vídeos de civis desarmando um dos atiradores.
Em um dos registros, um homem de camisa branca aborda o suspeito armado com um fuzil, luta corpo a corpo e toma a arma. Após desarmá-lo, o civil encosta o fuzil em uma árvore, enquanto o atirador foge. Outro pedestre surge e arremessa uma pedra no suspeito.
O civil que desarmou o atirador, identificado como Ahmed al Ahmed, um muçulmano de 43 anos que vende frutas na região, foi baleado duas vezes durante a ação. Ele passou por cirurgia e permanece internado em condição estável. Sua família recebeu mais de R$ 4 milhões em doações desde o incidente.

Outro ato heroico envolveu um homem de 62 anos que lançou tijolos contra os atiradores para protegê-los de avançarem sobre sua esposa e amigos. Reuven Morrison, imigrante ucraniano que sobreviveu ao Holocausto, foi atingido fatalmente.
Familiares relataram que Morrison, nascido em Kiev e fugido da União Soviética aos 14 anos, conheceu a esposa Leah na praia de Bondi quando adolescentes. Décadas depois, o casal retornou ao local para celebrar o Hanukkah, quando o ataque interrompeu a festividade. Morrison deixa esposa, uma filha e três netos.
A Austrália enfrenta um dos piores atentados terroristas de sua história recente, com debates sobre segurança comunitária e controle de armas ganhando força nacional.


















