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Grupo criminoso sacou mais de R$48 milhões no Pará

PF revela esquema milionário de compra de votos liderado por Antônio Doido

A Polícia Federal apontou que o deputado federal Antônio Doido (MDB-PA) comandava um grupo criminoso que sacou cerca de R$ 48 milhões em espécie às vésperas das eleições municipais de 2024, recursos supostamente usados para compra de votos e financiamento irregular da campanha de seu irmão, então pré-candidato à Prefeitura de Ourém (PA).

Documento do Supremo Tribunal Federal (STF), com sigilo levantado nesta terça-feira (16/12), revela que o parlamentar liderava uma organização que contava com policiais militares e sua esposa para operacionalizar as ações ilícitas.

Um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) destaca que “segundo consta das comunicações de operações suspeitas, Francisco Galhardo [preso suspeito de envolvimento no esquema] figurou como sacador em diversas operações de retirada de valores em espécie, que somaram mais de R$ 48 milhões”.

O mesmo relatório acrescenta: “Fica claro que, após a missão, o grupo de Francisco Galhardo seguiria para a cidade de Ourém, muito provavelmente na posse dos valores sacados, o que corrobora a possível destinação dos recursos para a compra de votos”.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou haver provas de uso irregular da estrutura da Polícia Militar em favor de candidaturas. “As evidências apontam para o deslocamento de agentes da Polícia Militar para áreas rurais do município de Ourém (PA), em horários noturnos e para atividades alheias às funções institucionais da corporação, indicando um esquema estruturado de arregimentação de policiais, logística de deslocamento e fornecimento de equipamentos para viabilizar a operação ilícita no pleito eleitoral”, afirma a PGR.

Operação policial

Nesta terça-feira (16/12), a PF cumpriu 31 mandados de busca e apreensão no Pará e no Distrito Federal, determinados pelo ministro Flávio Dino, do STF. Entre os alvos está o deputado Antônio Doido.

No apartamento funcional do parlamentar em Brasília, agentes apreenderam celulares — que haviam sido jogados pela janela —, garrafas de vinho e dinheiro em espécie.

A investigação apura fraudes em licitações públicas para desvio de recursos, pagamento de propinas e lavagem de dinheiro. Duas construtoras ligadas ao deputado — JAC Engenharia e J.A Construcons — venceram contratos para obras da COP30, incluindo uma licitação de R$ 142 milhões e outra de R$ 148 milhões.

Uma dessas concorrências foi suspensa após a prisão do PM Francisco Galhardo ao sacar R$ 5 milhões dias antes do pleito de 2024. 

Mensagens apreendidas mostram contato entre um policial do grupo e o secretário de Obras Públicas do Pará, Benedito Ruy Cabral, no mesmo dia em que consórcio das empresas do deputado venceu a disputa de R$ 148 milhões.

Posição do governo estadual

Em nota, o governo do Pará declarou que “as empresas J.A Construcons e JAC Engenharia celebraram contratos com a administração estadual exclusivamente por meio de processos licitatórios regulares, conduzidos de acordo com a legislação vigente e os princípios constitucionais da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, estando toda a documentação disponível nos portais oficiais de compras públicas”.

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