Deputado Sóstenes Cavalcante, alvo de operação da PF, explica dinheiro em espécie (R$430 mil) como proveniente de venda de imóvel e critica relatórios do Coaf
O líder do Partido Liberal (PL) na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), reagiu às buscas realizadas pela Polícia Federal (PF) em seus endereços, afirmando que não há irregularidades em sua conduta e que os valores em dinheiro vivo apreendidos têm origem lícita.
A ação policial, deflagrada na sexta-feira (19/12), também alcançou o parlamentar Carlos Jordy (PL-RJ) e investiga possíveis desvios de recursos da cota parlamentar, com base em alertas de movimentações financeiras suspeitas detectadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Durante coletiva de imprensa no Salão Verde da Câmara, Sóstenes detalhou a procedência dos cerca de R$ 430 mil encontrados em espécie em um flat funcional em Brasília. “Semana passada foi feito um negócio da venda do meu imóvel. O comprador quis me pagar em dinheiro. Quando eu vi que estava etiquetado, não vi nada ilícito. Eu acabei não fazendo o depósito, mas faria. Foi um lapso. Ninguém pega dinheiro ilícito e bota dentro de casa”, declarou o deputado.
Ele também defendeu a contratação de uma empresa de locação de veículos para seu gabinete, alvo de suspeitas na investigação. “Eu só alugo um carro deles. Sempre está com meu motorista ou comigo. Eu sempre usei um Corolla usado e não novo, para gastar menos com a cota. Eu pago o menor valor da Câmara. Só seria lavagem de dinheiro se eu não usasse o carro, se só emitisse a nota (sem usar o serviço)”, explicou.
A operação, autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal (STF), incluiu mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e no Rio de Janeiro. Os indícios apontam para transações atípicas de aproximadamente R$ 18 milhões envolvendo assessores ligados aos deputados, incluindo Adailton Oliveira dos Santos, vinculado à liderança do PL e anteriormente ao gabinete de Sóstenes. Esses movimentos, concentrados entre 2023 e 2024, incluem repasses a beneficiários não identificados e são considerados incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
Sóstenes classificou a apuração como uma tentativa de perseguição política contra opositores do governo federal e questionou a metodologia do Coaf, descrevendo o órgão como “um grande problema” por acumular dados de longo período sem contextualizar a origem dos recursos. O parlamentar afirmou que seu motorista possui atividades comerciais paralelas que justificam parte das transações.
A investigação é um desdobramento de ações anteriores e apura crimes como peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, com foco em possíveis pagamentos por serviços inexistentes ou irregulares, incluindo contratos com empresas de locação de veículos supostamente de fachada.


















