Banco Central adia entrega de defesa ao TCU sobre liquidação do Banco Master para próxima semana
O Banco Central do Brasil (BC) não protocolou nesta sexta-feira (26) a justificativa solicitada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para a decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, ocorrida em novembro de 2025.
Embora o prazo de 72 horas estabelecido pelo ministro Jhonatan de Jesus tenha expirado ao meio-dia, fontes indicam que o documento será enviado apenas na semana seguinte, em razão do recesso natalino da corte de contas.
O TCU investiga possíveis irregularidades no processo, incluindo se a medida foi precipitada. O ministro classificou a liquidação como uma “medida extrema” e apontou indícios de cronologia atípica, especialmente por coincidir com prisões da Polícia Federal contra o controlador Daniel Vorcaro e executivos do banco.
Entre os questionamentos do TCU estão:
- A análise de alternativas menos impactantes, como propostas de aquisição privada (incluindo oferta de R$ 3 bilhões pelo Grupo Fictor);
- O histórico de tratativas com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e outras instituições;
- A governança interna do BC, com eventuais divergências técnicas e como foram resolvidas.
O BC sempre defendeu a decisão alegando graves fraudes recorrentes, com uso de carteiras de crédito fictícias para mascarar insolvência, o que ameaçaria a estabilidade do sistema financeiro nacional.
Não há clareza jurídica sobre a suspensão do prazo durante o recesso do TCU (de 17 de dezembro a 16 de janeiro). Caso a entrega não ocorra na próxima semana, a corte pode prosseguir com o julgamento sem a manifestação do BC, podendo até anular a liquidação.
Paralelamente, o atraso na lista de credores pelo liquidante adia os reembolsos pelo FGC – a maior operação da história do fundo, de R$ 41 bilhões – para 2026.
O caso Banco Master segue sob forte escrutínio institucional, com desdobramentos no STF e impactos no mercado financeiro brasileiro.


















