Teerã promete resposta decisiva em meio a protestos econômicos que já causaram mortes e feridos
Autoridades iranianas elevaram o tom nesta sexta-feira (2/1), declarando que qualquer intervenção dos EUA no país representa uma “linha vermelha”, com promessa de retaliação imediata.
A reação veio após o presidente americano Donald Trump ameaçar ação militar caso o governo reprima letalmente os protestos contra a crise econômica que agitam o Irã desde o final de dezembro.
“Qualquer mão intervencionista que ataque a segurança do Irã sob qualquer pretexto será alvo de uma resposta”, escreveu Ali Shamkhani, conselheiro do aiatolá Ali Khamenei, em publicação no X.
“A segurança do Irã é uma linha vermelha”.
Outro alto oficial, Ali Larijani, chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, direcionou crítica direta a Trump:
“Trump deveria saber que qualquer interferência dos Estados Unidos neste assunto interno seria o equivalente a desestabilizar toda a região e prejudicar os interesses americanos”.
Ele completou: “Que tenha cuidado com seus soldados”.
Declaração de Trump e contexto dos protestos
Trump publicou na Truth Social:
“Se o Irã atirar e matar violentamente manifestantes pacíficos, o que é seu costume, os Estados Unidos da América virão em seu socorro. Estamos com as armas preparadas e carregadas, prontos para agir. Obrigado por sua atenção a este assunto!”.
As manifestações iniciaram no domingo (28 de dezembro de 2025), com comerciantes em Teerã protestando contra a desvalorização do rial, inflação galopante e impactos de sanções internacionais, agravados por conflitos recentes.
Com adesão de estudantes, os atos se espalharam, tornando-se violentos na quinta-feira (1º), com pelo menos seis mortes confirmadas, dezenas de feridos e prisões em várias cidades.
O regime iraniano acusa potências estrangeiras, incluindo Israel (via Mossad), de incentivar a desestabilização. Os protestos são os maiores desde 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini.
Escalada nas tensões EUA-Irã
As relações bilaterais pioraram desde o retorno de Trump à Casa Branca, com bombardeios americanos a sites nucleares iranianos em junho de 2025 e promessas de erradicar programas nucleares e de mísseis de Teerã.
Essa troca de ameaças eleva riscos de confronto no Oriente Médio, onde os EUA mantêm tropas e bases. Analistas alertam para possível escalada regional, afetando estabilidade global e preços de energia.
A comunidade internacional monitora os protestos no Irã e apela por contenção, enquanto Teerã reforça narrativa de soberania contra interferências externas.


















