Oposição ataca Lula por condenar captura de Maduro e defender soberania Venezuelana
A detenção de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos gerou forte reação da oposição no Congresso brasileiro, que acusou o presidente Lula da Silva de manter apoio histórico ao regime chavista, mesmo após seu colapso.
Parlamentares de direita destacam contradições na política externa do governo petista, que priorizou relações diplomáticas com Caracas em detrimento da defesa de direitos humanos e da estabilidade regional.
Em comunicado oficial, a Liderança da Oposição na Câmara dos Deputados, comandada pelo deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), descreveu o fim do governo Maduro como o encerramento de “um dos períodos mais sombrios da história recente da América Latina”.
O documento rejeita tentativas de minimizar o autoritarismo do regime, afirmando que Maduro “nunca foi um líder democrático” e o responsabiliza por repressão, censura à imprensa, detenções arbitrárias e o deslocamento forçado de milhões de cidadãos.
“A soberania de um país reside em seu povo e não pode ser usada como escudo para proteger criminosos que sequestram o Estado para se perpetuar no poder”, enfatiza a nota, que também critica partes da esquerda por lamentarem a perda de um “aliado histórico”.
O deputado Luiz Ovando (PP-MS) ligou diretamente o Planalto à manutenção do poder em Caracas.
“Durante anos, com apoio de Lula, a Venezuela foi submetida à destruição deliberada de suas instituições”, declarou. Ele defendeu, contudo, que punições por crimes sigam o devido processo legal e alertou que a remoção de um governante não assegura automaticamente a liberdade popular.
“Sem reconstrução institucional, eleições livres e reconciliação nacional, não há democracia possível”, completou.
O deputado Zucco (PL-RS) viu na operação americana um “momento histórico” que encerra décadas de opressão e abre caminho para o restabelecimento do Estado de Direito.
“A democracia foi substituída pela força durante décadas. Agora há uma chance real de renascimento”, afirmou.
No Senado, o líder do Republicanos, Mecias de Jesus (RR), enfatizou os impactos da crise venezuelana no Brasil, sobretudo em Roraima, cobrando mais investimentos em segurança e acolhimento na fronteira. “Enquanto Lula foi conivente, Roraima sofreu com a pressão migratória.
A captura de Maduro enfrenta uma ditadura que exportou caos”, disse.
A deputada Caroline de Toni (PL-SC) traçou paralelos entre os processos institucionais na Venezuela e riscos no Brasil, citando concentração de poder, enfraquecimento do Parlamento, perseguição a opositores e falta de transparência eleitoral.
“O alerta não pode parar na fronteira. O Brasil precisa olhar para si”, alertou.
Lula condenou a intervenção militar americana, classificando-a como uma “afronta gravíssima à soberania da Venezuela” que cria um precedente perigoso, levando a “violência, caos e instabilidade” onde “a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo”.
O governo associou a ação aos “piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, defendendo resposta via ONU.
“O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação”, conclui o posicionamento oficial.
A postura do Brasil contrasta com países como a Argentina, que endossaram a operação, e se alinha a nações como Colômbia, México, Rússia, China e Cuba.


















