Venezuela acorda enviar até 50 milhões de barris de petróleo aos EUA, anuncia Donald Trump após captura de Maduro
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou nesta terça-feira que o governo interino da Venezuela firmou acordo para exportar entre 30 e 50 milhões de barris de petróleo “de alta qualidade” diretamente para o território americano.
A declaração foi publicada em rede social pelo líder norte-americano, apenas três dias após a operação militar dos EUA que resultou na captura do ex-ditador Nicolás Maduro e na morte de pelo menos 55 militares venezuelanos e cubanos.
De acordo com Trump, o óleo será comercializado a preços de mercado, com os recursos financeiros gerenciados pessoalmente por ele para assegurar que sejam aplicados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, detalhou o presidente.
O pacto surge em meio ao acúmulo de milhões de barris em tanques e embarcações venezuelanas, consequência de um bloqueio naval imposto pelo próprio Trump em dezembro passado – medida que contribuiu para a pressão que culminou na queda de Maduro.
Fontes consultadas pela agência Reuters indicam que os carregamentos, antes direcionados à China, serão redirecionados para refinarias norte-americanas, especialmente na Costa do Golfo, capazes de processar o petróleo pesado característico da Venezuela.
No sábado (3), Trump já havia sinalizado ambições maiores para o setor energético venezuelano.
“Nossas gigantescas companhias petrolíferas dos EUA, as maiores do mundo, vão entrar, gastar bilhões de dólares, consertar a infraestrutura petrolífera, que está em péssimo estado, e começar a gerar lucro para o país”, declarou o presidente, referindo-se à entrada de empresas americanas para revitalizar a indústria.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta, estimadas em 303 bilhões de barris – volume superior ao da Arábia Saudita e do Irã.
No entanto, a produção atual gira em torno de 1 milhão de barris por dia, impactada por anos de sanções internacionais e deterioração da infraestrutura da estatal PDVSA.
Analistas, como Arne Lohmann Rasmussen, da Global Risk Management, alertam que uma recuperação significativa da produção demandará investimentos bilionários e pode levar anos para se materializar.
O anúncio intensifica debates geopolíticos sobre a intervenção americana na América Latina, com críticas de países como Espanha, Brasil e organismos como a ONU, que questionam a legalidade da operação e os interesses econômicos por trás dela.
Enquanto isso, petroleiros fretados por empresas dos EUA já se dirigem à Venezuela para iniciar o carregamento.


















