Careca do INSS ordenou entrega de encomenda em apartamento alugado por Lulinha em São Paulo
Mensagens acessadas pela Polícia Federal (PF) indicam que o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, instruiu um funcionário a entregar uma encomenda em um imóvel de luxo alugado pelo empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista Lula da Silva.
O caso integra as apurações sobre supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Em 6 de outubro de 2024, o Careca do INSS encaminhou a um colaborador a captura de tela de uma conversa contendo o endereço de um prédio residencial no bairro de Moema, zona sul de São Paulo.
Ele solicitou a entrega de um “medicamento” no local, especificando que o pacote deveria ser registrado no nome de Renata Moreira, esposa de Lulinha.
O apartamento, localizado na rua Juriti, pertence formalmente ao empresário Jonas Leite Suassuna Filho, ex-sócio de Lulinha em negócios anteriores.
O imóvel de alto padrão, no condomínio Hemisphere, possui 524 m², com três suítes, piscina e terraço gourmet, ocupando o 23º andar. Lulinha e sua família residiram no local por anos, antes de deixarem o Brasil.
A defesa de Lulinha, por meio do advogado Marco Aurélio de Carvalho, negou qualquer envolvimento: “Ele [Lulinha] desconhece, até porque ele próprio não é o destinatário”.
O advogado reforçou que não há proximidade entre o filho do presidente e o lobista, e que “Não é sócio do Camilo, nunca foi. Não tem negócios com Camilo” e “Não tem, nunca teve”.
As revelações surgem no contexto da investigação da PF sobre possível sociedade oculta de Lulinha com o Careca do INSS, preso desde 2024 por suspeita de liderar esquema milionário de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
Referências ao nome de Lulinha apareceram em materiais apreendidos, incluindo viagens conjuntas e transferências financeiras via intermediários, como a empresária Roberta Luchsinger, amiga da família.
A defesa do Careca do INSS não se manifestou, e não foi possível contato com Jonas Suassuna Filho.
A PF comunicou o Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as menções ao filho do presidente, ampliando o escopo das apurações.
O episódio reacende debates sobre possíveis irregularidades envolvendo familiares do presidente e operadores de esquemas no setor público, com a oposição cobrando esclarecimentos.


















