Trump diz que depende de Xi Jinping decidir o futuro de Taiwan
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a decisão sobre o que a China fará em relação a Taiwan cabe exclusivamente ao líder chinês, Xi Jinping.
A declaração foi dada em entrevista exclusiva ao jornal The New York Times, publicada na quinta-feira (8), e surge em meio a tensões geopolíticas agravadas pela recente intervenção americana na Venezuela.
Trump respondeu a uma pergunta sobre possíveis lições que Pequim poderia tirar da operação que capturou Nicolás Maduro, negando analogia entre os casos:
“Ele (Xi) considera Taiwan como parte da China, e cabe a ele decidir o que fazer”, disse Trump. Ele completou: “Mas eu disse a ele que ficaria muito infeliz se ele fizesse isso, e não acho que ele fará isso. Espero que ele não faça isso”.
O líder americano reiterou confiança de que Xi não tomará medidas contra Taiwan durante seu mandato, que termina em 2029:
“Ele pode fazer isso depois que tivermos um presidente diferente, mas não acho que ele fará isso enquanto eu for presidente”.
A entrevista ocorre após um documento estratégico do governo Trump, divulgado no ano passado, que prioriza evitar conflitos com a China sobre Taiwan e o Mar do Sul da China, por meio do fortalecimento militar americano e de aliados.
A disputa remonta a 1949, quando forças nacionalistas se refugiaram na ilha após a guerra civil chinesa, formando um governo autônomo. A China vê Taiwan como província rebelde e não descarta o uso da força para a reunificação.
A embaixada chinesa em Washington reagiu por meio do porta-voz Liu Pengyu:
“A questão de Taiwan é um assunto puramente interno da China, e como resolvê-la é uma questão que se enquadra exclusivamente nos direitos soberanos da China”.
Os comentários de Trump geraram debate em Taipei, com preocupações sobre o compromisso americano de defesa da ilha, embora o presidente tenha reforçado oposição a qualquer mudança no status quo.
A declaração também contrasta com a postura assertiva dos EUA na América Latina, levantando questionamentos sobre possíveis precedentes geopolíticos.


















