Brasil anuncia saída da representação diplomática da embaixada Argentina em Caracas após invasão dos EUA na Venezuela
O governo brasileiro decidiu encerrar a custódia da embaixada da Argentina em Caracas, na Venezuela, após mais de um ano e meio de representação dos interesses argentinos no país.
A medida, confirmada por fontes do Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty), ocorre em meio ao novo cenário político venezuelano desencadeado pela operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro no início de janeiro de 2026.
O Brasil assumiu essa função em agosto de 2024, a pedido do presidente argentino Javier Milei, após o então governo de Maduro expulsar os diplomatas argentinos por não reconhecerem os resultados das eleições presidenciais daquele ano.
Na ocasião, uma nota conjunta entre Brasil e Venezuela estabeleceu:
“Governo da República Bolivariana da Venezuela e o Governo da República Federativa do Brasil informam que chegaram a acordo para que a custódia dos locais das Missões Diplomáticas da República Argentina e da República do Peru, incluindo seus bens e arquivos, bem como a representação de seus interesses e de seus nacionais em território venezuelano, sejam representadas, a partir de 5 de agosto de 2024, pela Embaixada da República Federativa do Brasil em Caracas”
Durante o período, o Itamaraty protegeu a integridade do prédio e representou os interesses argentinos e peruanos, incluindo a defesa de opositores venezuelanos ligados à líder María Corina Machado que se abrigaram no local.
Diplomatas brasileiros destacam que a missão foi cumprida com sucesso, especialmente em momentos de alta sensibilidade.
A decisão de saída foi comunicada à Argentina na quinta-feira (8 de janeiro) e à gestão interina venezuelana (sob Delcy Rodríguez) no dia seguinte.
Fontes do Itamaraty apontam para uma reorganização da presença diplomática brasileira em Caracas, após a intervenção militar americana que derrubou Maduro — ação criticada pelo petista Lula da Silva como uma violação da soberania e do direito internacional, mas celebrada por Milei como avanço da liberdade.
As divergências entre Lula e Milei sobre a intervenção dos EUA — incluindo publicações do argentino associando o Brasil ao antigo regime chavista — contribuíram para o timing da saída, embora o governo brasileiro afirme que o Brasil já cumpriu seu papel e que outros países (como possivelmente a Itália) podem assumir a representação argentina.
A saída reflete o impacto da invasão dos EUA na Venezuela no equilíbrio regional, com o Brasil priorizando a defesa da não-intervenção e da autodeterminação dos povos.
A representação do Peru continua sob responsabilidade brasileira.


















