Mais de 2.300 presos e pelo menos 65 mortos em duas semanas
O regime iraniano enfrenta um dos maiores desafios internos em anos com uma onda de protestos que se espalha pelo país desde o final de dezembro de 2025.
De acordo com a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos Estados Unidos, pelo menos 65 pessoas morreram e mais de 2.300 foram presas nos últimos 13 dias, em meio a uma repressão violenta que inclui uso de armas de fogo e apagão nacional de internet há mais de 48 horas.
Os protestos iniciaram como reação à inflação desenfreada, desvalorização recorde do rial e agravamento da crise econômica, mas rapidamente ganharam contornos políticos, com manifestantes exigindo o fim do regime islâmico e a renúncia do líder supremo Ali Khamenei.
As manifestações ocorreram em dezenas de cidades, incluindo a capital Teerã, e se estenderam por grande parte das 31 províncias iranianas.
Testemunhas oculares relatam cenas de extrema violência: forças de segurança teriam matado dezenas de manifestantes com “fuzis militares”, incluindo uma criança de 5 anos.
Hospitais estão em caos, com relatos de corpos “amontoados” em unidades de saúde, conforme uma mulher entrevistada pela CNN. O número real de vítimas pode ser superior, pois o bloqueio total da internet — monitorado pelo NetBlocks — dificulta a verificação independente de informações.
O procurador-geral do Irã anunciou que processos contra manifestantes envolvidos em danos a bens públicos serão conduzidos “sem clemência, misericórdia ou apaziguamento”, segundo a agência semioficial Tasnim.
O governo culpa os Estados Unidos e Israel por incitarem os atos, classificando os participantes como “vândalos” e “agentes estrangeiros”.
Em resposta à escalada da repressão, o presidente americano Donald Trump reiterou ameaças diretas ao regime:
“E, mais uma vez, digo aos líderes iranianos: é melhor vocês não começarem a atirar, porque nós também começaremos”.
Especialistas em direitos humanos alertam que a repressão está se tornando “mais violenta e abrangente a cada dia”, com uso de gás lacrimogêneo, munição real e detenções em massa.
Organizações como Amnesty International e Human Rights Watch condenaram as violações, enquanto líderes europeus cobram que as autoridades protejam o direito à manifestação pacífica.
Essa nova onda representa o maior movimento antigovernamental desde os protestos de 2022-2023 (deflagrados pela morte de Mahsa Amini) e expõe fragilidades no regime, agravadas por sanções internacionais, má gestão econômica e insatisfação geracional

















