Regime iraniano admite estar preparado para guerra contra os EUA em meio à escalada de protestos e ameaças de Trump
O regime iraniano declarou abertamente que está “totalmente preparado” para uma guerra contra os Estados Unidos, embora prefira evitar o conflito e buscar negociações, em um contexto de protestos nacionais violentos que já deixaram centenas de mortos e repressão intensa com bloqueio de internet.
A declaração vem em resposta às ameaças do presidente americano Donald Trump de intervenção militar caso a violência contra manifestantes continue.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, fez o alerta durante discurso a embaixadores estrangeiros em Teerã e em entrevista à Al Jazeera Arabic, destacando a prontidão militar do país:
“A República Islâmica do Irã não busca a guerra, mas está totalmente preparada para ela — ainda mais preparada do que a guerra anterior.”
Ele enfatizou que o Irã está aberto ao diálogo, mas sob condições de respeito mútuo e igualdade:
“Também estamos prontos para negociações, mas essas negociações devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo.”
O aiatolá Ali Khamenei, guia supremo iraniano, reforçou a narrativa de resistência externa, elogiando contramanifestações pró-regime e acusando inimigos estrangeiros de orquestrarem os protestos:
“Essas grandes manifestações, repletas de determinação, frustraram o plano de inimigos estrangeiros, que seria executado por mercenários nacionais.”
“Isso foi um aviso aos políticos norte-americanos para que interrompam suas falsidades e não confiem em mercenários traidores.”
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, classificou a situação como uma “guerra contra terroristas” em múltiplas frentes.
As declarações surgem enquanto protestos iniciados em 28 de dezembro de 2025 – inicialmente contra inflação, desvalorização do rial e crise econômica – se transformaram em movimento nacional contra o regime teocrático.
A repressão, executada pela Guarda Revolucionária, inclui uso de munição real, prisões em massa e apagão total de internet (incluindo bloqueio parcial da Starlink), dificultando verificações independentes.
Organizações como Iran Human Rights (IHR), sediada na Noruega, confirmam pelo menos 648 mortes entre manifestantes (número possivelmente maior), além de mais de 10 mil detenções. O diretor da IHR, Mahmood Amiry-Moghaddam, descreveu os atos como espontâneos e internos:
“O povo iraniano saiu às ruas. Principalmente os mais jovens, que apenas querem uma vida normal e não desejam uma república islâmica, e o regime sabe disso. Nenhum país está por trás dessas manifestações. Elas nada mais são do que as exigências de direitos fundamentais dos iranianos.”
Do lado americano, Trump ameaçou respostas fortes e anunciou tarifas de 25% sobre países que negociem com o Irã, mas também afirmou que Teerã buscou contatos para negociações. A Casa Branca prefere diplomacia como primeira opção, mas não descarta ações militares.
A tensão reflete o maior desafio interno ao regime desde 2022, com risco de escalada para confronto direto com os EUA.


















